Andrey Schlee fala sobre tombamento do conjunto histórico
Diretor do Iphan explicou o desenvolvimento do processo que reconheceu Pelotas como patrimônio nacional
Na noite desta quarta-feira (5), o tombamento do conjunto histórico de Pelotas foi tema de palestra do diretor do Departamento de Patrimônio Material do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o pelotense Andrey Rosenthal Schlee. A prefeita Paula Mascarenhas acompanhou o evento, que reuniu dezenas de estudantes e falou, ainda, sobre o reconhecimento nacional da tradição doceira, como patrimônio imaterial; ambas certificações foram conferidas pelo Conselho Consultivo do Iphan, em maio deste ano.
Fotos: Gustavo Vara
Aquele foi um dos dias mais felizes e emocionantes da minha vida. Tive o privilégio de representar Pelotas em uma data tão significativa e ouvir tantos elogios sobre algo que construímos coletivamente: a nossa consciência de proteção patrimonial. Isso mexeu com a autoestima dos pelotenses e pude vê-los se reencontrando com a cidade, como se a vissem pela primeira vez”, lembrou a prefeita.
Reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Pedro Curi Hallal salientou a relevância da pauta escolhida por Schlee e aproveitou a oportunidade para anunciar que o projeto de revitalização completa do Grande Hotel está aprovado em todas as instâncias pelo Iphan, motivo de comemoração para o município, de acordo com o reitor.
Reconhecimento nacional
Atual membro do Conselho Consultivo do Patrimônio Museológico do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Schlee apresentou uma contextualização histórica – e cronológica – acerca de diversos bens tombados pelo Instituto em 80 anos, destacados por sua importância arqueológica, artística e histórica.
A participação de Pelotas ao longo destas décadas foi salientada pelo diretor, que apontou diversos registros na história da instituição referentes à cidade, como a primeira solicitação de tombamento da casa natal de Ferreira Viana, em 1953; o tombamento do Obelisco Republicano, em 1955, e do Theatro Sete de Abril, em 1961; os pedidos de reconhecimento do Castelo da Baronesa, do Centro Histórico de Pelotas, das ruínas da ponte dos Dois Arcos e demais prédios e locais que representam a memória do município.
Schlee ainda relembrou a construção do processo que reconheceu Pelotas como patrimônio do Brasil, neste ano, e a certificou como patrimônio imaterial (pela tradição doceira) e material (pelo conjunto histórico). No projeto, defendido em Brasília pela relatora Márcia Sant'Anna, foram contemplados sete setores de proteção, divididos em tombo integral e parcial.
Foi possível propor um tombamento diferente para Pelotas porque a cidade, ao longo do tempo, fez a lição de casa; realizou o seu inventário, construiu leis próprias e incorporou a legislação do patrimônio no Plano Diretor", concluiu o diretor.
O evento, promovido pela UFPel e pela Secretaria de Cultura, contou com a presença do escritor Aldyr Schlee, da ex-reitora da instituição, Inguelore Scheunemann de Souza, e de pró-reitores e docentes da Universidade.