Caminhada Azul encerra IV Semana do Autismo
A área central da cidade, na manhã deste sábado (8), registrou a predominância de uma cor. O azul tomou conta da esquina do Calçadão com Sete de Setembro, movimentou-se abrindo passagem até a frente da prefeitura e retornou ao ponto de origem. Centenas de mães, pais, profissionais, amigos e autistas, vestidos de azul, mandando o recado de que \\"é só um jeito diferente de ser\\", participaram da caminhada de encerramento da IV Semana Municipal sobre Conscientização do Autismo. Representando a prefeita Paula Mascarenhas, o vice-prefeito Idemar Barz afirmou, mais de uma vez, que \\"o autista tem os mesmos direitos que qualquer um de nós. Esse movimento fortalece a luta de conscientização da comunidade e ensina-a a dar o devido valor aos portadores da síndrome. A mobilização pela inclusão e pelo fim das diferenças tende a crescer. A família dos autistas, assim como eles, precisa de apoio e incentivo. O Poder Público está presente para isso\\". A luta pelos autistas se fortalece cada vez mais em Pelotas, por conta das ações da Associação dos Amigos, Mães e Pais de Autistas e Relacionados com Enfoque Holístico (Ampharo). O órgão associativo realiza reuniões mensais, nas primeiras segundas-feiras, às 14h, na Casa dos Conselhos, para tomar iniciativas e estreitar os vínculos. Há três anos, o Município conta com o Centro de Atendimento ao Autista Doutor Danilo Rolim de Moura, onde há diversas especialidades para o desenvolvimento do aluno. A meta de atendimentos mais do que se triplicou. Por isso, uma das bandeiras da mobilização da \\"Caminhada Azul\\" deste sábado permanece erguida visando ao aumento do Centro – tanto espaço físico como profissionais. O autismo é considerado um transtorno invasivo do desenvolvimento. No entanto, os aspectos emocionais e cognitivos, assim como as habilidades e o convívio social, quando trabalhados, apresentam evolução satisfatória. Articulação As mães e os pais são as peças mais articuladas no cenário das famílias que contam com autistas. Carla Pernas, mãe de Eduardo que têm 17 anos, disse que o filho apresenta melhoras na socialização e no aprendizado. \\"Ele é aluno do Centro de Atendimento e gosta muito, porque enquanto está lá se sente capaz. Temos expectativas quanto ao aumento do Centro, em espaço e em atividades. É importante a estimulação precoce, mas os mais velhos também precisam. Hoje, vê-se avanços no processo e inclusão, e isso traz muita felicidade.\\" Vivian Yurgel, mãe de Laura, de cinco anos, afirmou que a Caminhada serve para que os filhos participem. \\"Trouxemos nossos filhos para serem vistos, ouvidos e mostrados à sociedade. Eles não são menos do que ninguém. Só têm um jeito diferente de ver a vida.\\" E complementou acrescentando que \\"datas como essa são importantes para passar à população a luta das mães. Laura frequenta o Centro de Atendimento ao Autista. Sobre ele, Vivian ressaltou que \\"a gente chega lá fragilizada e sai forte\\". Jaqueline Pereira, mãe de Ramias, de cinco anos, fez questão de deixar registrada sua opinião: \\"O autismo é o jeito verdadeiro de ser\\". Para explicar, comentou que o autista não disfarça; é autêntico. Amparho e Centro O comando da mobilização esteve por conta da presidente da Amparho, Daiane dos Reis Mendes, por uma das iniciantes da união das famílias, Karin Scheer, pela diretora e pela vice do Centro de Atendimento ao Autista, professoras Débora Jacks e Beatriz Felitti, pelas profissionais do Centro, por representantes e alunos de escolas convencionais da rede pública de ensino, além de centenas de mães, pais, parentes e amigos dos autistas. \\"Respeito, dedicação e amor\\" foram palavras reiteradas pelo vice-prefeito Idemar Barz, acompanhado pelas representantes do Poder Legislativo, vereadoras Daiane Dias e Cristina Oliveira. Na frente da prefeitura, a Família Azul fez uma parada e soltou balões azuis, carregados durante toda a caminhada. O céu ficou tomado de balões, emocionando populares que passavam nas proximidades e os participantes do encerramento da IV Semana Municipal de conscientização.