Nesta quarta-feira (4) comemora-se o Dia dos Animais. Matéria aborda o trabalho das equipes que lidam diariamente com o abandono

Carinho com animais pauta cuidados na Hospedaria e Canil

Nesta quarta-feira (4) comemora-se o Dia dos Animais. Matéria aborda o trabalho das equipes que lidam diariamente com o abandono

Por Autor desconhecido 04-10-2018 | 13:50:28
Tags: dia dos animais , hospedaria , canil , adoção , maus tratos

     Apego e carinho são sentimentos compartilhados pelas médicas veterinárias Karina Goularte D´Avila e Cristiane Budziareck, responsáveis pela Hospedaria e Canil Municipais, respectivamente. Nesta quinta-feira (4), data em que se comemora o Dia dos Animais, a rotina desses dois espaços integra uma matéria especial sobre o trabalho das equipes no cuidado com a saúde e a alimentação de animais maltratados e abandonados.

      Na chegada aos abrigos, localizados às margens da BR-392, no km 75,1, o trato diferenciado com os animais é facilmente percebido: os cavalos e cães recolhidos com marcas de maus tratos recebem tratamento em baias e gaiolas separadas do restante. Quando eles precisam de atendimento cirúrgico, são enviados ao Hospital de Clínicas Veterinária (HCV) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Entre todos esses cuidados, o carinho é o principal remédio para o sentimento de falta de amor e abandono que alguns são encontrados.

Fotos: Marcel Ávila

      Para dar conta de todos os animais, o trabalho no Canil começa cedo, às 8h a médica Cristiane já está no local, acompanhada pelos quatros funcionários que são parceiros do início ao fim do dia. Dos 44 abrigados atualmente – entre eles, as meninas Teodora, Sofia, Alcione e Doralice -, 14 ficam em canis separados por serem considerados bravios, os demais tem acesso livre ao pátio. A alimentação é oferecida em livre demanda e, antes que sejam encaminhados para doação, são castrados e vermifugados. 

      Na hospedaria não é diferente, o manejo inicia ao amanhecer. Nas segundas-feiras, o movimento costuma ser maior, segundo a veterinária Karina, em função das equipes das secretarias de Serviços Urbanos e Infraestrutura (Ssui) e Qualidade Ambiental (SQA) atenderem apenas durante os dias úteis. Na última semana de setembro, 29 animais entre equinos, suínos e ovinos – os dois últimos são novidade, pois vieram de apreensão – estavam recolhidos no local.

Cuidados na hospedaria

      Independente de apresentar maus tratos ou não, todo o animal que chega à hospedaria tem sua dentição conferida – para determinar a idade e possíveis problemas de saúde –, recebe vacinas e medicações, conforme explica Karina. No HCV, além de procedimento cirúrgicos, os cavalos também passaram a ser chipados, garantindo a conservação de informações sobre seu histórico médico.

Cerimônias de adoção ocorrem com frequência. Antes de serem doados, os animais recebem cuidados com a saúde, são vacinados, vermifugados e chipados. Fotos: Gustavo Mansur

      No local permanecem em torno de três meses, sendo doados em cerimônias de adoção promovidas periodicamente pela Prefeitura. Nesses eventos, os adotantes devem apresentar a guia de produtor rural e se comprometer a não utilizar o cavalo para tração. Além dos cuidados físicos, os animais também recebem alimento duas vezes ao dia – de manhã e à tarde –, acompanhada de pasto. A equipe recebe, semanalmente, 20 sacos com 40kg de ração e cinco fardos de alfafa, que são consumidos integralmente.

      Entre os equinos, Domingueiro e Chimango se destacam. Ambos foram recolhidos recentemente: Chimango (de pelagem tordilha) por estar solto em via pública e Domingueiro (de pelagem colorada) por apresentar sinais de maus tratos e correr risco de vida. Como em outros casos, as denúncias vieram de moradores próximos aos locais.

      A responsável pela Hospedaria reitera que é importante conhecer a real situação do animal antes de solicitar seu recolhimento. 

É importante ter certeza da situação antes de denunciar. Recebemos muitas ligações informando que o cavalo está deitado, mas o cavalo se deita, não é um sinal de doença”, esclarece a veterinária.

Cachorros aguardam adoção

      No Canil Municipal, a equipe formada por quatro funcionários se divide ao longo do dia no trato com os cachorros recolhidos. As sextas-feiras são os dias mais movimentados, quando os animais vindos de denúncia ou do hospital costumam chegar. Alguns como as pequenas Sofia e Maju, são carentes e demandam mais atenção do grupo. Outros, como a senhora Doralice (uma idosa em tratamento para vários problemas de saúde), só precisam de uma cama confortável, alimentação adequada e cuidados médicos.

Doralice é uma fêmea idosa recolhida com diversos problemas de saúde. Tanto ela quanto Sofia e Maju aguardam adoção. Fotos: Marcel Ávila

      No abrigo, os cães permanecem de 10 a 15 dias, a menos que tenham alguma doença crônica – como é o caso de uma fêmea chamada Teodora -, sequelas de doenças ou apresentem comportamento violento. A veterinária Cristiane esclarece que apesar desses casos precisarem de atenção especial dos tutores, todos os animais estão disponíveis para adoção responsável.

      A gestão do local é feita pelo Centro de Zoonoses da Secretaria de Saúde (SMS), que envia mensalmente 500kg de ração. A população também pode ajudar o Canil Municipal através da doação de roupas, shampoo, cobertas, camas e remédios – dentro da validade.

A gente se apega a eles, mas também espera que todos encontrem um lar pra chamar de seu", comenta Cristiane. 

Família abandonada

      Na semana passada, uma denúncia levou a apreensão de três cães: duas fêmeas, chamadas de Simone e Simaria pela equipe, e um macho, o Tody. Tratava-se de uma família que havia sido abandonada em uma casa no Fragata. No canil, receberam hidratação, tratamento veterinário e ração, e, assim como outros animais acolhidos, também estão aprendendo a confiar novamente no ser humano. 

Eles não morreram, pois os vizinhos começaram a jogar comida. A mãe, aparentemente, teve uma cria recente e suspeitamos que os filhotes tenham virado alimento dos outros no momento de desespero”, relatou com tristeza a responsável pelo canil. 

Veja como denunciar:

      Em casos de maus tratos à animais de grande porte como os cavalos, denúncias devem ser direcionados à Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) pelo telefone (53) 3227-5442, ou a 3ª Companhia de Policiamento Ambiental (Patram), no número 3225-3722. Quando a situação envolver cavalo solto em via pública (não pode estar amarrado), representando risco a ele próprio e a comunidade, o pedido de recolhimento deve ser feito a Hospedaria através do telefone 3271-9244.

      Quanto aos cachorros abandonados, a denúncia deve ser feita diretamente ao Centro de Zoonoses, localizado à rua Lobo da Costa, 1764, ou pelo telefone (53) 3284-7731.

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