Combate à mortalidade infantil prioriza aleitamento materno
Como uma das estratégias de combate à mortalidade infantil, médicos e enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde e Bem Estar participam de curso de capacitação em amamentação. A taxa oficial de mortalidade infantil em Pelotas é de 19 óbitos para cada mil nascidos vivos, de acordo com os números levantados pela Secretaria de Saúde em cada unidade básica de saúde. Sanga Funda, Vila Princesa, Dunas, Simões Lopes, Navegantes e Getúlio Vargas estão entre as comunidades que apresentam as piores taxas de mortandade infantil. Para reverter estes números, caberá aos profissionais da saúde conscientizar as famílias de que a amamentação é fundamental para o recém nascido. “Está comprovado que as crianças que mamam têm menos chance de adoecer e, conseqüentemente, de morrer”, alertam os profissionais. A comprovação cientifica de que o leite materno contem anticorpos que a mãe transmite para o filho e que o protege de doenças, inclusive daquelas que ela teve no passado, cada vez mais reafirma a necessidade de programas buscando incentivar esta prática milenar entre as mulheres. “Levando em consideração constatações como esta estão também outras estratégias, como a reestruturação do programa Pra Nenê, com ênfase na orientação às mães para a importância do aleitamento, e do Pré-Natal, com busca às gestantes que faltam as consultas regulares. Pela reestruturação, elas também terão prioridade aos exames laboratoriais”, comenta o diretor de Saúde Pública da SMSBE, Sandro Schreider Oliveira. Outro reforço a esta busca para salvar mais crianças inicia no mês de abril, com a realização de treinamento e captação dos médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde integrados ao Programa Saúde da Família sobre amamentação e alimentação no primeiro ano de vida das crianças. Pesquisa recente indica que são alimentados exclusivamente com leite materno apenas 10 % das crianças com seis meses de idade. A proposta da Secretaria inclui também auditorias de óbitos, para conhecer melhor a situação que levou os menores a morte, treinamento dos profissionais que atuam no atendimento ao parto e recém nascidos na sala de parto e o investimento na prevenção da gravidez, com o aumento da compra de anticoncepcionais , oral, injetável e DIU. Mesmo triplicando em 2004 a compra de anticoncepcionais orais feita em anos anteriores, a Secretaria ainda não tem condições de atender a demanda. Segundo Sandro Schreider Oliveira, cerca de 70% das mulheres em idade fértil são usuárias das unidades de saúde, sendo necessários 6 milhões e meio por ano deste medicamento. Em 2004, a Secretaria estará adquirindo 2 milhões de comprimidos para anticoncepção que, somados aos 700 mil repassados pelo Ministério da Saúde, são insuficientes para atender todos os postos de saúde. Nenhum laboratório conseguiu reproduzir os anticorpos do leite materno. Descoberta recente aponta que o leite materno contêm ácidos graxos que, agindo junto aos neurônios, podem facilitar o desempenho intelectual das crianças. Também seriam responsáveis pela diminuição da obesidade e de alergias. Aos três meses de idade, a criança que não mama tem 60 vezes mais o risco de contrair pneumonia do que aquela amamentada.