Três escolas do Grupo Especial e quatro mirins vão disputar os títulos do Carnaval de Pelotas 2026 na Passarela do Samba, neste domingo (15)

Conheça os temas-enredos das Escolas de Samba concorrentes

Três escolas do Grupo Especial e quatro mirins vão disputar os títulos do Carnaval de Pelotas 2026 na Passarela do Samba, neste domingo (15)

Por Joice Lima 13-02-2026 | 16:44:43
Tags: carnaval , tema-enredo , pelotas , passarela do samba

A partir do final da tarde de domingo (16), quatro escolas de samba mirins e três escolas de samba do Grupo Especial disputam os títulos do Carnaval de Pelotas 2026 na Passarela do Samba, no bairro Porto. Cada uma delas, apresenta o seu tema-enredo, fio condutor de todos os elementos que compõem o desfile da escola – fantasias, alegorias, alas e samba-enredo (a composição musical que conta o enredo). A resistência aos preconceitos, a dança, a Justiça e o valor da amizade são alguns dos temas que vão aparecer na maior festa popular de Pelotas deste ano.

Às 22h45, em dourado e prateado, a Unidos do Fragata homenageia um de seus fundadores, Antonio Augusto Mullet, o “Gugu da Unidos”, para falar de preconceitos, resistência e resiliência. A Academia do Samba decidiu celebrar a dança e também fazer homenagem póstuma à bailarina e coreógrafa Janaína Jorge, nas cores azul e branco. Terceira concorrente da noite, a General Telles traz, em vermelho e branco, a história de Xangô, poderoso rei e guerreiro, filho de Oxalá, para falar de Justiça, igualdade e punição àqueles que se afastam do caminho do bem.

Crianças

Mais cedo, a partir das 17h25min, as escolas de samba mirim Águia de Ouro, Super Pateta, Ramirinho e Mocidade do Simões desfilam pela Passarela do Samba trazendo como temas, respectivamente, as festas mais esperadas pelas crianças em cada mês do ano; homenagem ao carnavalesco Sabará; os “super-heróis” que nos cuidam e protegem no dia a dia; uma história de aventura e amizade, inspirada na série de livros “Os Meninos dos Planetas”, do cartunista Ziraldo.

Escolas de Samba do Grupo Especial (por ordem de apresentação na Passarela do Samba):

Unidos do Fragata

Tema-enredo: “Gugu: Uma Estrela em Ouro e Prata que Brilha No Céu”

A escola representante do bairro Fragata leva à Passarela do Samba a história de um de seus fundadores: Antonio Augusto Mullet (1969-2017), o “Gugu da Unidos”. Exemplo de resistência e resiliência, Gugu cresceu nas vielas da Cohab Guabiroba e sempre teve o Carnaval em seu cotidiano. Homem preto, homossexual, trabalhador doméstico, jamais permitiu que o mundo definisse seu destino, e se reafirmava na arte de produzir peças para o Carnaval. Torcedor xavante, libriano, filho de Xangô, defendeu as causas sociais, promoveu atividades e iniciativas do movimento tradicionalista. Foi discípulo do premiado carnavalesco Pompílio Freitas (1952-2003), parceria que rendeu conquistas e verdadeiras obras de arte. Apesar do trabalho árduo de faxineiro, Gugu jamais se deixou endurecer pelas dificuldades: carregava a leveza e o fascínio em suas peças, lembrando que a vida pode ser bela, mesmo em meio a tempos difíceis. “Neste país homofóbico, racista e preconceituoso, essa homenagem é mais que um desfile: é uma declaração de amor à vida, um recado de resistência. Não irão nos calar ou nos subjugar nem pela condição social, nem pela cor da pele, e muito menos por quem escolhemos amar”, diz um trecho do texto de inscrição da escola.

Academia do Samba

Tema-enredo: “Jana, te trouxe um convite: vem dançar comigo?”

Para celebrar e reverenciar a dança, a Academia do Samba escolheu fazer uma homenagem póstuma à Janaína Jorge (1977-2010), bailarina que deixou na escola marcas profundas de amor, movimento e talento. Filha de Neomar Paiva Jorge, o Tuca (músico, cantor, compositor, instrumentista e intérprete de samba-enredo), e de Carmem Lúcia Martins Borges, a Carminha (professora, artista visual, bailarina e aderecista), desde a infância Janaína teve a Academia do Samba como a sua segunda casa, onde foi foliã, porta-bandeira, coreógrafa e carnavalesca, deixando um legado artístico que permanece vivo, mesmo após sua partida para o plano espiritual. Janaína estudou ballet clássico na escola de Antônia Caringi de Aquino e, mais tarde, graduou-se no primeiro curso superior de dança no Rio Grande do Sul, na Universidade de Cruz Alta (Unicruz). Sua formação contemplava também o jazz, sapateado americano, dança contemporânea, flamenco, dança do ventre, e folclores latino-americano, inclusive brasileiro. Participou de festivais de dança, conquistou diversos títulos e prêmios de destaque como coreógrafa e passou a ser conhecida e respeitada pelas suas coreografias, oficinas e workshops, realizadas em cidades da Região Sul e no estado de São Paulo – suas obras coreográficas foram apresentadas em diversos países, como Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Colômbia. “Nesse enredo, Janaína desce do céu” para celebrar a dança, força motriz de sua existência e manifestação artística que emerge do corpo de cada sambista. Na passarela do samba ela fará uma viagem pela história da dança, desde suas primeiras manifestações na história da humanidade, passando pelas civilizações antigas e diferentes culturas, até a contemporaneidade, onde a história da dança se confunde com sua própria história de vida.”  

General Telles

Tema-enredo: “Obanixé Kaô Kabicilê* Sàngó, Alafim do Império de Òyó!” 

*"Vejam a alteza está em terra/em casa!” 

A Escola de Samba General Telles mostrará os aspectos do Orixá Sàngó, aportuguesado como Xangô, o Orixá da justiça, do trovão e do fogo, Senhor do que é justo e correto, como o respeito à igualdade de todos. Um poderoso rei e guerreiro que governava o reino de Oyó, segundo um dos Itãs (lendas). Vestia-se de vermelho, a cor do fogo, que simboliza a realeza, e lutava com um machado de duas lâminas, símbolo do poder e da justiça (a imparcialidade). Na história Iorubana, Xangô foi o quarto Alafim (rei) de Oió, um poderoso reino Iorubá localizado no atual território de Nigéria e Benim, assumindo o poder depois de destituir o seu irmão. Os contos Iorubás trazem que Xangô procurou fortalecer o seu poder envolvendo-se em diversas batalhas, a fim de expandir seu reino. As esposas de Xangô são Oxum, Orixá do amor e da beleza; Obá, a Orixá guerreira das águas revoltas; e Iansã (ou Oiá), a Orixá dos ventos e das tempestades. As três, com suas personalidades distintas, disputavam a afeição de Xangô, em mitos que retratam os desafios e a paixão nos relacionamentos. Seu reino possuía fartura de água e de alimentos e todos viviam muito alegres, com danças e festas, mas o valente guerreiro também era muito vaidoso, não gostava de pessoas pobres e mal vestidas, e acabou sendo vítima da própria vaidade. Historiadores entendem que Xangô teria sido um personagem histórico, divinizado após sua morte. Com esse enredo – que apresenta suas origens e influências no continente africano, desde a origem de seu reino, seu governo, culto, lendas, tradições e elevação ao sagrado – “a General Telles pede à Xangô que ele consiga iluminar aos homens na Terra para que possam aplicar corretamente os preceitos da Justiça, punindo todos aqueles que se desviem dos bons e corretos caminhos”.  

Escolas de Samba Mirins do Grupo Especial (por ordem de apresentação na Passarela do Samba):

Águia de Ouro

Tema-enredo: “De janeiro a janeiro, a Águia festeja o ano inteiro!”

A Águia de Ouro vai explorar as datas e festas mais populares e esperadas pelas crianças, com seus significados e simbologias, de cada mês do ano: janeiro, as férias escolares; fevereiro, o Carnaval; março, a volta às aulas; abril, a Páscoa; maio, mês das mães; junho, festas juninas; julho, homenagem aos avós; agosto, a figura a ser homenageada é a do pai; setembro, a Revolução Farroupilha; outubro, o Dia da Criança e o Dia das Bruxas (Halloween); novembro, o mês da Consciência Negra; dezembro, o Natal, “fazendo homenagem ao projeto social Papai Noel Maluco, que há anos percorre o bairro Navegantes distribuindo balas, doces e refrigerantes, ao som de músicas (...).”

Super Pateta

Tema-enredo: “Sabará — O Guri que Virou Samba!”

A Super Pateta homenageará Mário Verlei de Oliveira Cardoso, o Sabará. Negro, gaúcho e pelotense, Sabará cresceu entre o apito dos juízes e o batuque dos tambores. Como jogador de futebol, defendeu os times Pelotas, Brasil, Farroupilha, 14 de Julho e o Atlético de Imbituba (SC), mas o destino o chamou para outro campo, o da avenida. Foi mestre-sala, escritor, passista e ritmista. Desfilou nas escolas Imperatriz da Zona Norte, Chavianos e General Telles e, em Porto Alegre, na Bambas da Orgia e Praianas. “Hoje, aos 81 anos, o menino da General Telles se eterniza como patrimônio vivo do nosso Carnaval, um símbolo de humildade, lealdade e amor à cultura popular”, diz a Escola.

Ramirinho

Tema-enredo: “Ramirinho e a Liga da Imaginação; onde todos podem ser super-heróis”

A Ramirinho convida o público a enxergar o mundo com os olhos da fantasia, onde heróis caminham ao nosso lado, todos os dias. Neste universo lúdico, a imaginação revela que todo gesto de cuidado, coragem e alegria pode ser um superpoder. Assim, professores, trabalhadores, cuidadores e personagens imaginários se encontram para mostrar que heroísmo também nasce na sala de aula, nas ruas, nos hospitais e no coração das pessoas. A Ramirinho constrói uma liga onde não existe um único herói, mas a união de muitos, reais ou imaginários, que juntos tornam o mundo mais humano. “Porque, no fim, o maior poder de todos é acreditar, sonhar e cuidar, e é na imaginação das crianças que todo herói nasce”, explicam os organizadores.

Mocidade do Simões

Tema-enredo: “Os Meninos dos Planetas em Busca do Amigo Zelen”

A Mocidade do Simões apresenta um enredo inspirado na coleção “Os Meninos dos Planetas”, do escritor e cartunista Ziraldo. Nove meninos dos planetas, que estavam brincando na órbita da Terra, partem em uma viagem para encontrar e resgatar Zelen, o Menino da Lua, que se perdeu no infinito ao tentar se aproximar dos amigos. Os meninos dos planetas se transformam em astronautas, marinheiros das estrelas, atravessam tempestades, passam por caminhos luminosos e pelos astros do nosso sistema solar. “(Para que) todas as crianças aprendem a maior lição desta viagem fantástica: ninguém deve ficar sozinho, a maior estrela de todas é a amizade”, resume a equipe.

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