Crise dos hospitais mobiliza Zona Sul
Pelotas sediou, na manhã desta sexta-feira (08/01/2016), reunião de prefeitos, secretários de Saúde, vereadores, gestores de instituições hospitalares, prestadores de serviços, deputados estaduais e representação do Governo do Estado, para fortalecer mobilização apartidária visando a soluções para a crise instaurada na área hospitalar da região. O encontro foi realizado no auditório da Secretaria de Saúde, à rua Lobo da Costa. O prefeito Eduardo Leite, que é presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), comentou que “toda a região está em estado de apreensão quanto à falta de recursos nos hospitais. Rio Grande e Canguçu apresentam quadros mais graves, e um colapso no atendimento nesses municípios afetará Pelotas, sobrecarregando as instituições locais.” Detendo-se à situação de Pelotas, o prefeito Eduardo citou as recorrentes ameaças de fechamento da UTI Neonatal e as dificuldades enfrentadas pelo Hospital Espírita, por onde passa o atendimento de álcool e drogas do Município. Diante do auditório lotado, o prefeito Eduardo frisou a necessidade de mobilização política para atingir, se necessário, também a esfera federal. “Mobilizada de forma apartidária, a região pode conseguir não só as soluções de que precisa, mas também novos avanços.” O secretário de Saúde de São Lourenço do Sul, Arilson Cardoso, contextualizou a situação, enfatizando que a ideia é reunir forças com o propósito de defender o sistema de saúde já construído e consolidado na região. “O atraso de repasses e o não pagamento de incentivo prejudicam muito os hospitais, que acabam não sendo pontuais com seus profissionais e estes vão deixando o sistema.” A mobilização foi apontada como caminho para manutenção da estrutura em assistência de saúde montada pela região, bem como para avançar. A crise nos hospitais afeta a rede de urgência/emergência e, também, de atenção básica. Instituições estão operando no vermelho e enfrentam a falta de profissionais e de insumos. O não alcance de metas ainda gera desconto no repasse de pagamento dos contratos. Em nome do Estado, o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar e Ambulatorial da Secretaria da Saúde (DAHA), Alexandre Brito, esclareceu que a defesa do Sistema Único de Saúde é uma bandeira do Governo. No entanto, “apesar do esforço, está prevista queda de arrecadação de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Sul. Isso significa R$ 10 milhões a menos na Saúde por mês.” Brito anunciou, sobre a UTI do Hospital Universitário de Pelotas, que o Governo gaúcho vai complementar a diária de leito, a contar deste mês, com R$ 322,00, para fechar o valor de R$ 800,00 por dia. O Governo Federal repassa R$ 478,00. Para o Hospital de Canguçu, o Estado está aportando R$ 300 mil, referentes a valores de incentivos pendentes. Para a Santa Casa de Rio Grande, estão sendo liberados R$ 4 milhões. O diretor do DAHA ponderou que os atrasos são provenientes da crise que não é dos governos estadual, municipal ou federal, mas sim nacional. “Os atrasos nos pagamentos estão relacionados ao cliclo da crise.” A reunião – fruto de chamada conjunta do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e da 3ª Coordenadoria Regional da Saúde (3ª CRS) - contou com a presença da secretária de Saúde Arita Bergmann, da delegada da 3ª CRS, Kátia Torres Hoffman, do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco, dos deputados estaduais Adilson Troca, Mirian Marroni, José Nunes e Pedro pereira (representado), bem como dos conselhos municipais de Saúde de Pelotas e Rio Grande.