Doces de Pelotas: só de Pelotas
Dois projetos vão garantir marca para a identificação e proteção do doce da cidade.
Uma marca única para solidificar a tradição doceira do Município e assegurar os direitos autorais de produção e comercialização dos doces de Pelotas, em todo território nacional e até para exportação. Este é o ideal de dois projetos: IG Doces de Pelotas, e o Inventário Nacional de Referencial Cultural, encabeçados respectivamente, pelo Sebrae e Secretaria Municipal de Cultura (Secult) e que estiveram em pauta, em reunião realizada no salão Nobre da Prefeitura, quarta-feira. O prefeito Fetter Júnior participou do evento e, ao se pronunciar, enalteceu a tradição doceira de Pelotas e manifestou seu total apoio à iniciativa.
Durante o encontro promovido pelo Sebrae foram apresentados os detalhes dos dois projetos aos técnicos do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e também a consultores do Sebrae nacional. Segundo levantamento do próprio Instituto, o projeto é pioneiro no estado e talvez possa ser único no país. A idéia é a de que o pedido seja protocolado durante a próxima edição da Fenadoce, em junho, quando os técnicos retornam à cidade.
O IG Doces de Pelotas consiste na identificação geográfica do doce de Pelotas e a preservação do produto em nível nacional, a partir da criação de um selo de qualidade que proteja a marca e impeça a utilização imprópria do nome. Independente e paralelo a este projeto, a Prefeitura de Pelotas através da Secult, garante a sustentação desta idéia com sua própria iniciativa: o Inventário Nacional de Referencia Cultural: Produção de Doces Tradicionais de Pelotas.
Fundamentado em pesquisas científicas, levantamentos e estudos de profissionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Secult pretende traçar um perfil histórico-cultural do doce de Pelotas e assim fechar com o pedido de tombamento e o registro no livro tombo de patrimônio imaterial do Ministério da Cultura (Minc). Hoje o doce de Pelotas já conta com a lei 11.919 de autoria da deputada Leila Fetter, que torna o produto patrimônio cultural do estado.
Para a titular da Cultura em Pelotas, Beatriz Araújo, a conclusão da soma destas duas idéias vai culminar com maior valor agregado ao produto e numa ação pioneira no Rio Grande do Sul reconhecerá um produto pela sua origem cultural. “Este processo é a comprovação de que duas iniciativas já mobilizam diferentes instituições no sentido de buscar esse reconhecimento sob duas óticas: a proteção de mercado o resgate da memória e origem do nosso doce”, entende Beatriz, resumindo: “Este é o nosso momento de pleitearmos este reconhecimento e estamos sincronizados neste trabalho”. O projeto do inventário conta ainda com a parceria do CDL e é financiado pelo Programa Monumento, Banco Mundial (Bird), Minc e Unesco.
A supervisora regional do Sebrae, Rosani Ribeiro, endossa o entendimento da Secult e reforça a importância da mobilização dos produtores nesta busca pela valorização do empreendimento. “Esta certificação representará, além do resgate histórico e cultural, da proteção mercadológica, a credibilidade e o reconhecimento da qualidade do doce de Pelotas, nacional e até internacionalmente”, complementa.
Atualmente os dois projetos estão em fase de regulamentação técnica, onde serão estabelecidos tamanhos, pesos, forma de embalagem dentre outras características que definirão o tradicional doce de Pelotas. Hoje a cidade conta com mais de 100 unidades produtoras, cerca de 60 destas já aderiram aos grupos de trabalhos para a confecção destes selos.