Em dois dias 1.653 jovens se vacinaram contra a Gripe A
Em apenas dois dias, foram vacinados 1.653 jovens com idades entre 20 e 29 anos, cuja etapa da Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza A (H1N1) começou na segunda-feira (5). Em menos de um mês de campanha, 23.376 pessoas foram imunizadas (veja quadro abaixo). A estimativa inicial era de vacinar em Pelotas, até o dia 21 de maio, quando termina a campanha, um total de 261 mil pessoas. Embora tenha se formado fila para receber a dose no posto móvel instalado no calçadão da 7 de Setembro esquina Andrade Neves, a procura tem ficado abaixo do esperado. “Os diversos boatos infundados que surgiram, questionando a validade de tomar a vacina e alguns até apontando riscos que seriam provocados pela dose com certeza prejudicaram a campanha”, comentou a coordenadora do Serviço de Vigilância Epidemiológica da SMS, Maria Regina Gomes. A coordenadora encaminhou a todos os postos uma série de esclarecimentos sobre as falsas informações que tem sido divulgadas por todo o país (confira abaixo), para que os funcionários estejam aptos a responder aos questionamentos da comunidade. As afirmativas que desmentem os boatos são de autoria de três autoridades da área sanitária, sendo dois deles infectologistas: Luciano Goldani, professor de Infectologia da UFRGS, André Luiz Machado da Silva e Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. Foram prorrogados os períodos de vacinação das pessoas com menos de 60 anos que tenham doenças crônicas e das crianças de seis meses a dois anos incompletos, que poderão receber a dose em qualquer das 53 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da rede municipal e na sala da Influenza do Centro de Especialidades, na rua Voluntários da Pátria, 1.436, esquina com Santos Dumont, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30. Um caso à parte, as gestantes poderão ser imunizadas até o final da campanha nos postos de saúde do Barro Duro, Bom Jesus, Cohab Lindóia, Fraget, Navegantes, Pan Fragata e Virgílio Costa. Podem receber a vacina: 5 a 23 abril *pessoas com 20 a 29 anos *idosos (memos de 60 anos) com doenças crônicas *crianças de 6 meses a 2 anos incompletos Etapas seguintes: 24 de abril a 7 de maio – idosos (mais de 60 anos) com doenças crônicas e 2ª dose das crianças de 6 meses a 2 anos incompletos (apontado na carteira de vacinação no momento da 1ª dose) 10 a 21 de maio – pessoas com 30 a 39 anos. *as gestantes podem ser imunizadas até o final da campanha Vacinação em Pelotas (parcial até final da tarde do dia 6 de abril): Profissionais da saúde – 5.742 Gestantes – 1.628 Portadores de doenças crônicas (menores de 60 anos) – 9.840 Crianças de 6 meses a 2 anos – 4.513 Jovens de 20 a 29 anos – 1.653 Total: 23.376 Informações sobre Vacina contra H1N1 – Respostas e Desmentidos 1. “A vacina contra o H1N1 contém mercúrio (...). O mercúrio em outras vacinas está ligado a epidemia de autismo entre crianças.” Resposta dos especialistas: O mercúrio é usado em praticamente todas as vacinas para evitar a contaminação por bactérias, mas em doses muito pequenas que não causam malefícios. Pesquisas científicas recentes revelaram que a associação entre a substância e o autismo não se confirma. 2. “A vacina contém esqualeno, uma substância que, quando injetada no corpo, pode fazer o sistema imunológico humano voltar-se contra si mesmo.” Resposta dos especialistas: A vacina contra a gripe A H1N1 não contém essa substância na fórmula. 3. “A vacina contém células de câncer de animal que podem provocar câncer nas pessoas.” Resposta dos especialistas: Não há esse tipo de célula na fórmula da vacina contra a gripe A, portanto o risco não existe. Além disso, células tumorais não são transmissíveis. 4. “O governo federal não está confiante quanto à segurança da vacina, por isso que foi dada às indústrias farmacêuticas imunidade contra ações judiciais.” O que diz o Ministério da Saúde: O Ministério da Saúde não assinou nenhum termo de imunidade judicial com nenhuma indústria ou empresa. As empresas são responsáveis por seus produtos. 5. “A entrada no mercado da vacina foi acelerada, o que significa que todos os efeitos colaterais a médio e longo prazo não são conhecidos.” Resposta dos especialistas: A tecnologia usada no desenvolvimento da vacina é a mesma utilizada na fabricação das doses contra a gripe sazonal. A principal diferença é que a nova vacina inclui uma cepa diferente do vírus. Trata-se de vírus inativado (morto), o que aumenta o grau de segurança da vacina. 6. “Em 1976, instituto médico afirmou que havia uma situação critica relativa à gripe suína (...). As pessoas começaram a morrer ou a ficar invalidas após tomar a vacina.” Resposta dos especialistas: Naquela época, houve casos localizados de gripe A entre recrutas do Fort Dix, nos EUA, e foram aplicadas doses de uma vacina elaborada de um modo diferente da que existe hoje. Em alguns casos houve complicação e decidiu-se interromper a campanha. Mas a vacina atual é completamente diferente e não tem demonstrado o aparecimento de tais complicações. 7. “Estatísticas e fatos estão sendo manipulados para provocar pânico.” Resposta dos especialistas: Os dados não foram manipulados, pois foram controlados e compartilhados de perto por diferentes entidades e instituições, o que foi evidente principalmente no Rio Grande do Sul. 8. “De acordo com as declarações dos centros de controle de doenças, agências de drogas e alimentos e da Organização Mundial da Saúde, o H1N1 é uma doença moderada, da qual muitas pessoas se recuperam em uma semana sem medicação.” Resposta dos especialistas: Embora a maioria das pessoas tenha se recuperado bem da doença, pela magnitude da pandemia houve um número significativo de mortes e complicações no mundo inteiro. Em função disso, torna-se fundamental a campanha de vacinação contra a doença. * Fonte: entrevista publicada na edição do Jornal Zero-Hora dia 17 de março de 2010.