Temas como preconceito e diversidade social, relacionados ao vírus da Aids, foram discutidos em Pelotas

Encontro regional debate rotina de quem vive com o HIV

Temas como preconceito e diversidade social, relacionados ao vírus da Aids, foram discutidos em Pelotas

Por Autor desconhecido 26-07-2019 | 16:50:59
Tags: saúde , hiv , prevenção , combate , tratamento , sms

Na mesma semana em que foi anunciado o início dos testes da vacina contra o HIV em humanos no Brasil (leia mais abaixo), Pelotas recebe o 2º Encontro Regional e Estadual RPN+Pelotas. O evento, promovido pela Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RPN), com apoio da Prefeitura, através da Secretaria de Saúde (SMS), reuniu profissionais da saúde e pessoas interessadas no tema para debater os avanços observados no tratamento da doença e os desafios que ainda precisam ser vencidos.

Representantes do Município participaram do Encontro - Foto: Divulgação/SMS

A diretora de Ações em Saúde da SMS, Eliedes Ribeiro, participou da atividade nesta sexta-feira (26), destacando sua importância como espaço para a abordagem de temas fundamentais, incluindo o combate ao vírus e a garantia dos direitos dos portadores de HIV, lembrando que o controle para evitar uma epidemia é uma das prioridades do município. 

Estamos fazendo um esforço grande para manter os programas ligados à área e garantir o atendimento aos portadores de HIV”, afirma Eliedes, ressaltando que Pelotas acolhe a discussão da temática e trabalha com a política desde o ano 2000.

No município, há toda uma rede pública de saúde preparada e focada no atendimento a pessoas com HIV/Aids. O trabalho realizado pela Prefeitura, através do programa IST/DST/Aids, inicia na prevenção do contagio - com campanhas que incentivam o uso de preservativos, por exemplo -, passando pela disponibilização de exames rápidos e gratuitos para diagnóstico e posterior tratamento da patologia, quando identificado o vírus.  

Segundo o assistente social José Ricardo Fonseca, o programa do Município inclui quatro etapas: promoção, prevenção e proteção; diagnóstico, tratamento e assistência; desenvolvimento institucional e gestão; interface e parceria com a sociedade civil. “Todas essas partes são importantes, seja por prevenirem a doença ou por dar assistência às pessoas com diagnóstico confirmado. Tudo é público e gratuito”.

Dentre os serviços disponíveis a quem já tem o vírus, destaque para o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), na rua Voluntários da Pátria, 1.428, sala 407; Serviço de Atenção Especializada (SAE) e Centro de Aplicação e Monitorização de Medicamentos Injetáveis (Cammi), na avenida Duque de Caxias, 250; Hospital Dia (HD), no Hospital Escola da UFPel; Unidade Dispensadora de Medicamentos (UDM), na Farmácia Municipal; e Laboratório Municipal. 

Mais informações sobre os serviços são disponibilizadas pelos telefones (53) 3284-7751 e (53) 3284-7781.

Teste rápido

Os testes rápidos estão disponíveis em todas as unidades de saúde do município e no Centro de Testagem e Aconselhamento. Nestes locais, a comunidade tem acesso gratuito a exames para HIV, sífilis e hepatites B e C. Estes levam em média 30 minutos e o paciente já sai com o laudo diagnóstico. Conforme dados do Ministério da Saúde, 61 casos foram notificados em Pelotas no ano passado, 50% a menos do que em 2017. 

Testes rápidos podem ser realizados nas unidades de saúde - Fotos: Rafaél de Lima/Arquivo Ascom

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Entenda

Segundo informações do Ministério da Saúde, o HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.  

O vírus é causador da Aids, que ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+, pois é alterando o DNA deles que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.  

É importante ressaltar que ter o HIV não significa ter Aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença, continuando, no entanto, a transmitir o vírus a outras pessoas durante relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Saiba mais:

Como se contrai

  • Sexo vaginal, anal ou oral sem camisinha;
  • Uso de seringa por mais de uma pessoa;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;
  • Instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.

Como não se contrai

  • Masturbação a dois;
  • Beijo no rosto ou na boca;
  • Suor e lágrima;
  • Picada de inseto;
  • Aperto de mão ou abraço;
  • Sabonete/toalha/lençóis;
  • Talheres/copos;
  • Assento de ônibus;
  • Piscina;
  • Banheiro;
  • Doação de sangue;
  • Pelo ar.

Vacina

Na terça-feira (23), durante a 10ª Conferência da Sociedade Internacional da Aids sobre a Ciência do HIV (IAS 2019) realizada no México , pesquisadores anunciaram que em 2019 uma vacina contra o HIV será testada pela primeira vez no Brasil e em mais sete países da América e da Europa. Os testes devem começar no final do ano e vão envolver 3.800 voluntários.  

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