Extensa programação nos bairros, hospitais, igrejas e centros comunitários busca democratizar o acesso à música instrumental. Nesta quarta, foi a vez do Instituto São Benedito sediar a apresentação do grupo de choro

Festival Internacional Sesc de Música chega à comunidade

Extensa programação nos bairros, hospitais, igrejas e centros comunitários busca democratizar o acesso à música instrumental. Nesta quarta, foi a vez do Instituto São Benedito sediar a apresentação do grupo de choro

Por Autor desconhecido 22-01-2020 | 17:17:54
Tags: festival internacional sesc de música , cultura , música , comunidade

Pensando em potencializar a democratização do acesso à música – um dos aspectos que identificam o Festival Internacional Sesc de Música, cuja programação é totalmente gratuita –, o evento preparou uma agenda especial direcionada à comunidade na sua décima edição, em Pelotas. Além dos espetáculos e recitais sediados no Centro Histórico, como no Theatro Guarany e Bibliotheca Pública Pelotense, atividades descentralizadas levam o melhor da música instrumental aos bairros, hospitais, igrejas e associações.  

Fotos: Lucas Pereira
A ação cultural tem que acontecer nos mais diferentes espaços; ela não é exclusiva de um teatro, de um palco ou de uma casa de espetáculos. A cultura também pode se dar no auditório de uma escola e no pátio de uma associação comunitária, por exemplo. A música se presta pra isso”, destacou o gerente de Cultura do Sesc/RS, Silvio Bento.

Nesta quarta-feira (22), foi a vez do Instituto São Benedito ser palco para o Festival, acompanhado por dezenas de pessoas que foram envolvidas pelo ritmo e melodia do Regional de Choro Latino. O intercâmbio cultural, proposto pelo Festival Internacional, foi levado à risca pelo grupo, composto por sete músicos do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e, ainda, do Uruguai e da Argentina.

Como resultado, a sinfonia que preencheu o salão principal do prédio histórico, fruto da harmonia originada pela mistura dos sons do bandolim, violão, pandeiro, saxofone e violino – este último tocado pela artista argentina, Lucia Arras. O professor Elias Barbosa anunciou o repertório, responsável por encantar os presentes, desde os mais novos aos mais velhos. É o caso da pequena Lívia, 6 anos, que chegou a levantar da cadeira para seguir o embalo do choro.

A mãe da menina, que é autista, Rosângela Dalpaz, conta que a sua relação com a música é a mais positiva possível. “Acalma muito a Lívia, e a deixa muito feliz”, disse. Desde os 4 anos, ela tem aulas com instrumentos, entre eles, o piano. Questionada sobre o seu preferido, a menina é enfática ao dizer que todos chamam sua atenção.  

Foto: Lucas Pereira

Quem também aproveitou a atividade no Instituto foi a turista espanhola, Benedicta Olivares, de 44 anos, que coincidiu seu período de visita à cidade com a realização do Festival Internacional. "A música é muito animada; faz a gente querer dançar", comentou, referindo-se ao típico choro brasileiro. Bene, como prefere ser chamada, tem marcado presença em diversas atrações do evento. Acompanhou, já no primeiro dia, a apresentação da Orquestra de Câmara do SESC Roraima, na tarde de segunda-feira, na Bibliotheca, e disse ter ficado especialmente tocada pela performance do tenor Juan Alexis ao cantar "Granada", uma canção de sua terra. Bene também acompanhou a apresentação do Grupo de Cordas na Beneficência Portuguesa, na terça-feira, e elogiou a programação direcionada aos hospitais: "É algo que nunca vi acontecer no meu país".

Festival presente

O gerente de cultura do Sesc também ressaltou a importância de possibilitar o acesso à música a quem não consegue ir até o Centro da cidade, por motivos diversos. “A arte vai ao encontro destas pessoas”, reforçou. Bento também salientou o aspecto pedagógico inerente ao Festival, que possibilita a integração de nacionalidades e regiões diferentes conduzida pela música.  

Apresentaram-se, nesta quarta, os músicos Marlon Yuri, do Rio de Janeiro; Marcelo Pinto, Caroline Guarniere e Elias Barbosa, do Rio Grande do Sul; Cledinaldo Alves, da Paraíba; Lucia Arras, da Argentina; e Andre, do Uruguai. O Instituto São Benedito atua nas áreas de assistência social e educação e atende 100 meninas da cidade, com aulas de reforço escolar, ballet e jazz.

Mais nove dias para respirar a música em Pelotas

Até dia 31 de janeiro, próxima sexta-feira, pelotenses e turistas podem aproveitar a programação do 10º Festival Internacional Sesc de Música. Neste ano, o evento conta com 53 professores vindos de 14 países, alguns deles integrantes das mais reconhecidas orquestras europeias. Eles dão aulas no período da manhã a quase 400 estudantes de música, vindos de 22 estados brasileiros e de outros países da América Latina.  

Confira abaixo a programação para esta quinta-feira (23)

13h – Recital de Alunos | Conservatório de Música da UFPel

14h – Grupo de Cordas | Festival na Comunidade – Hospital São Francisco de Paula (espetáculo para público fechado)

17h30 – Banda de Música da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada / 9º Batalhão | Festival na Comunidade – Shopping Pelotas

19h – Recital de Canto lírico, Madeiras, Cordas e Piano | Flávio Leite (BRA), Liliana Michelsen (BRA), Emmanuele Baldini (ITA), Hella Frank (BRA), Christoph Hartmann (ALE), Davide Alogna (ITA), Clemens Weigel (ALE), Michel Lethiec (FRA), TIimothy Deighton (NZL) e Max Uriarte (BRA) | Bibliotheca Pública Pelotense 

20h – Orquestra Jovem Sesc | Festival na Comunidade – Paróquia São José

20h30min – Big Band Salvagni e Pedrinho Figueiredo | Theatro Guarany - A Salvagni Big Band interpreta clássicos do Jazz, resgatando as origens e evidenciando a erudição em estilos populares. Como representante dessa efervescência na cultura regional, o solista convidado Pedrinho Figueiredo traz, além de sua excelência como instrumentista, suas composições e arranjos.

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