Fetter faz palestra sobre gestão a futuros administradores

Por Divulgação 01-11-2010 | 00:00:00
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O prefeito Adolfo Antonio Fetter ministrou palestra sobre o tema “ Papel do administrador nas políticas públicas”, na última sexta-feira (29), na Semana Acadêmica do curso de Administração da Faculdade Anhanguera. O evento estudantil, intitulado “Desafio e Expectativa do Milênio”, contou com a participação de cerca de 900 alunos e foi realizado no auditório do Colégio Gonzaga, durante os dias 28 e 29 de outubro. Conforme o representante da comissão organizadora do evento, Dan Tener de Oliveira, Fetter foi escolhido para ministrar a palestra por ser um administrador premiado e reconhecido, além de ter sido professor universitário. Ao inicio da palestra o prefeito salientou que se sentiu honrado pelo convite e agradeceu a oportunidade de, em parte, retomar o contato com a vida acadêmica. Fetter, inicialmente, destacou as dificuldades da atividade na vida pública, contudo salientou a satisfação de estar vivenciando um bom momento, que poucos políticos conseguem, apesar da dedicação. O prefeito fez uma radiografia da Administração Municipal, desde 2005, quando assumiu o cargo de vice-prefeito ao lado de Bernardo de Souza. Expôs que o quadro encontrado, no inicio da gestão, em 2005, era desanimador, pois o Município vinha de longo período de estagnação econômica, que se tornou conhecida em todo o Estado, somada à baixa autoestima da população, também ocasionada por problemas acumulados em décadas. Dificuldades econômicas da região, o grande crescimento da população (fruto de migrações da região e de seu meio rural) sem a oferta das condições necessárias de infraestrutura e emprego, orçamento municipal praticamente estagnado há décadas, ou seja, recursos insuficientes para prestar melhores serviços e investir, a alternância política de linhas contraditórias, gerando descontinuidade nas políticas públicas e a falta de seu aperfeiçoamento ao longo de sucessivas administrações e a falta de memória administrativa e de projetos para buscar recursos. Estes foram alguns dos itens citados por Fetter para relatar as dificuldades encontradas no inicio da gestão. Conforme o prefeito, com aquele quadro restava somente administrar o dia a dia – ‘o feijão com arroz’. “O que se impunha, de imediato, era superar esta cultura do derrotismo e de imobilismo. E confrontar aqueles que diziam que o importante era cuidar do dia a dia, pois não haveria tempo, em um mandado, para reverter tantas dificuldades”. E enfatizou: “Ao contrário, era necessário trabalhar com a perspectiva de médio e longo prazos e da busca de alternativas, para atender às demandas imediatas da população, visando à superação de problemas crônicos e difíceis”. Colocar a “casa” em ordem, economizar, pagar contas atrasadas e, em paralelo, elaborar projetos que permitissem a busca de recursos de fora e tomar medidas para estimular a economia local, foram determinantes para superar o momento, agravado também pela doença e afastamento do então prefeito Bernardo de Souza. Fetter ilustrou que a partir dali foi preciso trabalhar as tarefas internas e gerenciais, bem como avaliar as restrições e desafios. Dentre os desafios, o gestor destacou o reestabelecimento dos princípios básico da Administração, tais como o planejamento e a organização. Do planejamento, relatou que consistia na discussão e elaboração de documentos exigidos pela legislação, e também necessários para a definição do “futuro da comunidade” (Plano Diretor, Código de Obras, Código de Posturas, Aparato Publicitário, etc.), e no grande desafio: a elaboração de um Planejamento Estratégico para a Administração e de Projetos capazes de proporcionar os recursos para sua implementação. Da organização, colocar as “contas em dia”, já que o Município estava recorrentemente no CADIN e SIAFI (os SPC da administração pública), não pagava Precatórios há 10 anos e tinha uma estrutura arcaica, burocratizada e lenta em seu funcionamento. O palestrante frisou que as soluções foram difíceis e de maturação lenta: com a aplicação de austeridade, com discussões judiciais de dívidas, negociações com TRT, convênio com PGQP e MBC, e diversas medidas voltadas à Modernização Administrativa (renovação de frota e de equipamentos, ISS eletrônico, por ex).Em paralelo, organizar as finanças e capacitar a Prefeitura para buscar recursos, com a elaboração de projetos, cuidado com o dia a dia, para o que foram implantadas as quatro Câmaras Setoriais, voltadas à integração das Secretarias e discussão de ações. Organização de sistemas de acompanhamento de atividades, reuniões de rotina com o secretariado e produção de relatórios trimestrais e anuais de toda Administração, também foram incrementados. O slogan da gestão: “Valorizando o Passado. Fazendo Acontecer no Presente. Construindo o Futuro”, foi explanado em suas três diretrizes: Infraestrutura, emprego e renda e melhoria nos serviços públicos. Quanto a infreestrutura, Fetter destacou que tal foi projeto foi elaborado a que se permitisse a qualidade de vida da população e estimulasse os investimentos privados. Da geração de emprego e renda, com destaque a dinamização da economia local e da qualificação dos serviços públicos, a formatação de programa de capacitação dos servidores e de melhoria e requalificação da máquina pública, visando o melhor atendimento à população. “ Mesmo diante de tantas dificuldades e restrições, não desanimamos e nos dedicamos a estes desafios com obstinação e apoio do grupo. Os resultados já obtidos até o momento nos mostram que valeu a pena, mas ainda há muito a fazer para consolidar agora um “ciclo virtuoso” ,em oposição ao vicioso, que nos aprisionava”, garantiu Fetter. Entre os resultados positivos o gestor falou sobre a aprovação de projetos e busca de recursos, tais como: a aprovação de financiamento junto ao Banco Mundial – sendo Pelotas o primeiro município brasileiro, fora capitais, a obter financiamento direto para um Projeto de Desenvolvimento (Pelotas – Pólo do Sul). Total: US$ 32 milhões (60% do BIRD e 40% de contrapartida). O Monumenta - a continuidade e a ampliação significante na restauração de prédios e ambientes históricos. R$ 11 milhões, divididos entre BID, Governo Federal e Municipal. O Pró-Mob - voltado para melhorias no Transporte Coletivo, com a implantação de terminais de passageiros, baias e novas paradas com recuos. R$ 1 milhão, incluindo contrapartida de 25%. O Pró-Vias - com a aquisição de três patrolas, três retroescavadeiras e 11 caminhões, para recuperar a capacidade de enfrentar a manutenção de 1.400 km de estradas rurais e 350 km de ruas urbanas não pavimentadas, bem como recuperação de pontes e iluminação pública, totalizando R$ 4 milhões. O PAC Habitação e PAC Saneamento - aprovação de R$ 57 milhões em 2008 para 4 Estações de Esgoto, uma Estação de Lixo e urbanização de 4 áreas invadidas,construção de 465 casas pela Resolução 460 e 2.300 apartamentos do PAR - estes pela iniciativa privada e recursos da CEF, mas com cadastramento pela Prefeitura e desoneração tributária e agilização de projetos. R$ 70 milhões injetados na Construção Civil (R$ 5 milhões no Orçamento Municipal e o resto financiado). Além disso, a obtenção de recursos diversos, que se refletiram na duplicação do Pronto Socorro, Construção de Praças Esportivas e Ginásio, renovação do Transporte Escolar, implantação da Samu e reforma de 36 UBS. Ao finalizar, Fetter frisou que tais tarefas e desafios não cabem a somente um, ou dois, mandatos, mas talvez a uma geração e muito esforço para dar continuidade neste ciclo virtuoso, e ainda mais, que não depende somente da gestão municipal, mas também do Estado e da União. De outra parte, ressaltou que a população passou a acreditar mais em seu governo e na recuperação da capacidade de investimentos. “Passamos da descrença à demanda, e todos agora tem pressa em reivindicar o atendimento de seus pleitos”. E afirmou que, apesar das dificuldades, acredita que Pelotas chegará ao final deste mandato, em 2012, quando coincidentemente Pelotas estará celebrando seus 200 anos, com uma realidade bem melhor da que foi herdada.

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