Fetter tenta atrair Sagres e CMPC Celulose para região portuária
A visita do prefeito Adolfo Antonio Fetter, há cerca de um mês, ao presidente da CMPC Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, resultou em tratativas acerca de investimentos no Município. Coordenador de Logística da indústria, Roberto Hallal, em conversa preliminar com o chefe do Executivo pelotense na manhã de hoje (26), reiterou o interesse em negócios em Pelotas, mantendo-os, no entanto, em sigilo por questões estratégicas de mercado. Na mesma reunião, realizada no gabinete do Paço Municipal da manhã desta terça-feira, Fetter conduziu as negociações com executivos da Sagres Agenciamentos Marítimos, prestadora de serviços que pretende construir um terminal rodo-ferro-fluvial na cidade. Um de seus clientes é a própria CMPC, representada na audiência de hoje. Questionado pelo prefeito, o diretor-presidente da Sagres, Marcos Fonseca, informou a demanda de R$ 30 milhões para viabilização da infraestrutura logística na região portuária. “Transações econômicas indiretas em diversos nichos de produtos e serviços deverão permitir outros faturamentos com a iniciativa”, argumentou. Acompanhado pelo diretor-comercial da Sagres, Ivan Faria, o diretor-presidente referiu-se à movimentação possível de 1,3 milhão de toneladas de madeira, que representa um volume de negócios capaz de revitalizar o setor. Participaram, também, do debate, o assessor especial para Emprego e Renda, Carlos Mário Santos, e o gerente de Desenvolvimento Empresarial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SDET), Paulo Peter. Com matriz em Rio Grande, a Sagres opera atualmente, no Porto de Pelotas, com a Cimpor por meio de embarcações de navegação interior que trafegam no Canal São Gonçalo, transportando clínquer, uma espécie de cimento em fase básica de matéria-prima para outros produtos. “Certamente esta área será potencializada e novas oportunidades chegarão, caso as corporações instalem unidades na cidade”, assinalou Fetter. Com foco suplementar em cargas de granel sólido e fertilizantes, a empresa tem a intenção, ainda, de erguer o local de embarque e desembarque tendo em vista o recebimento, a armazenagem e a expedição de barcaças provenientes das regiões sul e sudoeste do Estado. De acordo com o diretor-presidente da Sagres, a necessidade origina-se, em acréscimo, do crescimento de um de seus clientes do segmento de celulose, cujo plano de negócios prevê a quadruplicação da capacidade de produção, seja por instalações de novas unidades fabris ou pela expansão das existentes. Interrogado sobre um novo acesso rodoviário de acesso ao cais local, Fetter antecipou o projeto de construção de uma via alternativa. “Ela deverá interligar a região portuária diretamente à BR. Em discussão está, principalmente, a geração do menor impacto possível com a retomada do crescimento das atividades do porto”, explicou Fetter. A Sagres opera principalmente nos portos de Rio Grande, Pelotas, Porto Alegre e Imbituba (SC) para uma base de exportadores e importadores, bem como armadores de embarcações de navegação de longo curso. No Município, conforme informações concedidas hoje ao prefeito, a provedora de serviços pretende abrir 50 postos de trabalho, 300 empregos indiretos, além de contribuir com a retomada do status de um dos principais cais comerciais do Estado. Os principais clientes, que desenvolvem atividades de exportação, são Gerdau, produtora de aço para construção civil, indústrias e agropecuária; AGCO e John Deer, fabricantes de máquinas agrícolas; e CMPC, da área de celulose. Além de prestar serviços de agenciamentos comerciais e marítimos, a companhia realiza operações portuárias, logísticas e de armazenagem.