"Flor de Obsessão" na última edição anual do Cena Literária
Um dos mais exitosos projetos do Theatro Sete de Abril encerra suas edições 2010 nesta quarta-feira (24). Trata-se do Cena Literária, ação que traz como principal objetivo aliar literatura e teatro por meio de apresentação de esquetes teatrais. O projeto é uma grande vitrine para todos os envolvidos com o fazer teatral, além de oportunizar, de forma gratuita, o contato mais direto do público com o teatro e a formação de novas plateias. Nas edições deste ano, o projeto adotou como característica a descentralização, ampliando as possibilidades para todos os públicos. Amanhã (24), o projeto conclui sua trajetória para este ano por meio da apresentação do esquete “Flor de Obsessão”, que será encenado pela Cia de Teatro Personae. Porém, é preciso estar atento para o horário da apresentação, que acontece às 20h30 - e não às 18h30, como costumeiramente ocorre. A apresentação do esquete tem por local o Bistrô da Secretaria de Cultura do Município. Dentro do espetáculo a ser apresentado, a principal figura é representada por um ator que personifica o autor proporcionando o encontro do criador com a criatura. Nelson Rodrigues está presente em todos os quadros escrevendo, imaginando e contracenando com seus personagens. O espectador encontra-se no centro da ação, é transportado para os anos dourados e seduzido pelo universo rodrigueano, fundindo-se ao espetáculo e tornando-se, ele mesmo, personagem. A peça, que não utiliza cenário e nenhum objeto cênico e tem como seu único e principal foco o ator, já foi encenada em diversos espaços: teatro, boates, livrarias, bares e outros espaços não tradicionalmente destinados ao teatro. O espetáculo é construído na perspectiva da multiplicidade do sujeito, como se um indivíduo, colocado entre dois espelhos, um face ao outro, se visse diante da diversidade de sua imagem, que por fim é ele próprio. No texto extraído das crônicas de “A Vida como ela é”, a ideia do duplo se concretiza em cena, os atores dividem a mesma personagem. Em cada intérprete está a dicotomia narrador/personagem, enfatizando o duplo. Mantendo um ritmo dinâmico e uma linguagem contemporânea onde todos os atores desdobram-se nos mesmos personagens desenvolve-se um trabalho diferenciado fragmentando frases que, muitas vezes, são ditas por vários atores, em diferentes ritmos. O trabalho corporal fragmentado, feito com partituras corporais impregnadas de signos religiosos, de tempo, de morte, de vida e traição, brinca com tabus de uma falsa moral social, onde se encontra toda a ironia do nosso grande trágico brasileiro: Nelson Rodrigues. A direção optou por encenar um texto originalmente não escrito para o teatro, de forma que sua adaptação proporcionasse uma brincadeira com o tempo, ainda assim sem perder o texto original, que é dito exatamente com foi escrito.