Florestas de Pelotas interessam a termelétricas europeias

Por Divulgação 11-03-2010 | 00:00:00
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Investidores europeus do setor de geração de energia estão de olho nas florestas da Zona Sul, especialmente nos bosques do Município e de suas cercanias. O interesse de companhias suecas e norueguesas por Pelotas foi relatado na manhã de hoje (11), ao prefeito Adolfo Antonio Fetter, pelo diretor-presidente da Brasil Florestas S.A., André Guimarães. A empresa recém-criada é sediada na capital carioca e atua nos subsegmentos de plantação de florestas e recomposição de fauna com foco em conservação ambiental. “O nosso negócio consiste em entregar florestas produtivas que gerem receita imediata com subprodutos, como carvão vegetal e madeira propriamente dita”, explicou Guimarães. Questionado pelo chefe do Executivo, o diretor, que também pertence ao Instituto BioAtlântica – ONG resultante da união entre a Aracruz e a Veracel Celulose, a Petrobras, a DuPont e a Conservation International do Brasil –, esclareceu os principais motivos dos contatos com o órgão público. A cidade, segundo ele, apresenta vantagens logísticas com os modais de transporte ferroviário, hidroviário e rodoviário, possui tradição de florestamento industrial e deverá sediar uma unidade fabril da Votorantim. Em contatos com a indústria de celulose, Guimarães tomou conhecimento dos 60 mil hectares de eucalipto plantado à distância de 12 quilômetros do Centro, que está em fase de maturação. Completando o que o executivo definiu como “equação” que coloca Pelotas no topo dos municípios potenciais, mencionou o preço do hectare local: dois mil dólares contra cerca de 10 mil dólares cotados no norte do Estado, e de 15 mil dólares, por exemplo, praticados no sul da Bahia. Após receberem o banco de dados em catálogo e CD-ROM do Município, elaborado com a contribuição de Fetter para divulgação dos negócios potenciais, das oportunidades e da qualidade de vida, ambos os visitantes anunciaram a estruturação de um projeto. A linha mestra será sempre a produção voltada à área de energia. Sugerindo contato com a Associação Gaúcha de Florestamento, o prefeito sinalizou a possibilidade de uma nova audiência para debater, com o planejamento da Brasil Florestas em mãos, as alternativas de negociações envolvendo os proprietários de terras e bosques. “Só em Pelotas, há aproximadamente 4.900 pequenos e médios donos de glebas com este perfil”, divulgou. No que tange às vantagens para o setor primário da cadeia produtiva, Guimarães informou a Fetter o disparate entre os valores pagos pelas toneladas de madeira destinadas à celulose e às centrais termelétricas. Respectivamente, 25 dólares e 130 euros. “A diferença de faturamento é astronômica. O fato é que estas árvores estão maturando e tem corporações querendo pagar muito caro por elas”, enfatizou. A Brasil Florestas deseja ser a catalisadora destes promissores negócios, conforme as conversações no gabinete do prefeito. Acompanhando ainda o diretor da Brasil Florestas, engenheiro florestal Jeanicolau de Lacerda, e por dois membros do Instituto, Sabrina Costa e Alexander Copello, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Mário Santos, inquiriu acerca da origem do capital investido nas plantações. Copello afirmou se tratar de recursos de fundos de pensão de funcionários públicos. “Temos uma carteira de investidores que já reconheceram os ganhos em aplicar em florestas, entre eles baixo risco, longa atuação e compensação em curto prazo”, disse. Há dois anos, a companhia NPX, que está implantando uma termelétrica na região de Candiota, contratou o Instituto BioAtlântica para compensar a emissão de carbono gerada em função do uso de carvão. O estudo de impactos ambientes foi entregue à construtora que precisa, por força de lei, conservar as nascentes e compensar a poluição com o cultivo de árvores, mitigando os danos ao meio ambiente. Licenciada em definitivo a NPX, antecipou Guimarães, e assinado o novo contrato com a Brasil Florestas com a meta de plantar novos bosques em Candiota, haverá uma proximidade geográfica maior para, conforme o gestor, atuar em Pelotas. Mas com uma ressalva, adverte: “com o fim de produzir energia e não celulose”. A especificidade segue a tendência, sobretudo da Europa, de migrar as “térmicas” originalmente a carvão para “biomassa” ou processo de queima da madeira, ficando as emissões de carbono circunscritas a esta matéria-prima.

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