Grupo Vocal Esperança com agenda cheia

Por Divulgação 27-04-2011 | 00:00:00
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Composto por representantes de todos os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Pelotas, o Grupo Vocal Esperança divulga sua movimentada programação. Às 8h30 desta quinta-feira (28), no auditório Dom Antônio Zattera, no Campus I da UCPEL, integra a abertura das atividades no Seminário de Políticas Sociais no Mercosul (SEPOME). No sábado (30), a partir das 8h30, faz uma apresentação ao ar livre, na rua Voluntários da Pátria, entre Santos Dumont e Barão de Santa Tecla, na frente do Centro de Especialidades, durante a programação cultural do Dia D da Campanha Nacional contra a Influenza. A agenda tem continuidade no domingo (1º de maio), dia em que o Vocal Esperança participa da mateada em homenagem ao Dia do Trabalhador - o evento acontecerá nas imediações do Altar da Pátria, no Parque Dom Antônio Záttera, e no dia 3 de maio, o Grupo animará o almoço do Restaurante Popular, das 11h às 13h – à rua Três de Maio, entre Gal. Osório e Mal. Deodoro. O Grupo Vocal é formado a partir de uma atividade extra-Caps, que busca a reinserção social junto à comunidade, proporcionando a desinstitucionalização, um dos principais objetivos da Reforma Psiquiátrica. Saiba mais: Grupo Vocal Esperança, a música pela vida Há dez anos foi idealizada, na cidade de Pelotas, a criação de um coral que pudesse atender fora das salas de oficina dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPSs), de forma que seus usuários, bem como a comunidade em geral pudesse participar. Durante um ano, o projeto foi pensado, buscando-se um espaço dentro do antigo Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal de Pelotas. Em abril de 2001, após aprovado o projeto pela coordenação do Núcleo de Extensão e Divulgação do Instituto e cedida uma sala de aula para tal, realizou-se o convite aos usuários de todos os serviços mantidos pelo M,unicípio, que atendiam portadores de transtornos mentais com os pressupostos da reforma psiquiátrica, bem como aos seus familiares para a efetiva criação de um “Coral da saúde mental” que pudesse representar os serviços de saúde mental e o Município em outras localidades. Começaram então as oficinas com a finalidade de unir as pessoas, independentemente do seu transtorno mental, aparência ou característica que as pudesse afastar da sociedade. Em cerca de três meses de convívio, começaram a surgir fortes laços de amizade e uma conscientização de que, embora com diferenças, todo ser humano tem direito de ser tratado de forma digna, haja visto que, em sua maioria, os usuários participantes desse coral traziam diversas histórias de sofrimento pelo transtorno e pela discriminação. Nesse mesmo período, tal projeto fora, democraticamente batizado de “Grupo Vocal Esperança” que, segundo seus participantes, era o nome que traduzia esse novo norte para suas vidas. Com um repertório rico em conteúdo poético, melódico e harmônico, pensado e adaptado às exigências de expressividade daqueles sujeitos, começou-se a trabalhar com técnicas voltadas ao aprimoramento da sua expressão vocal/oral, corporal e intelectual bem como com dinâmicas voltadas à interatividade dos participantes, entre si e com o meio à sua volta. Em cerca de cinco meses, o grupo começara sua nova jornada que, já como um coral em uníssono, vinha a representar a saúde mental da cidade, com apresentações musicais em diversos eventos sociais, culturais e educacionais de pequeno e grande porte, como também em instituições de saúde mental, hospitais, escolas de ensino fundamental, médio e superior, congressos, fóruns, dentre outros. Nas diversas cidades da metade sul do RS em que os “esperancistas” cantaram, pode-se perceber a emoção e a desmistificação de que um portador de sofrimento psíquico grave não tem condições de produzir um trabalho de qualidade, além de diminuir o estigma de que o “louco” é perigoso à sociedade. No ano de 2006, com a aquisição de instrumentos de percussão e um teclado, o Grupo começou a idealizar a possibilidade de gravar um cd, para que a música e um pouco do grupo pudesse estar nos lares daqueles que adquirissem tal trabalho. Com a união dos cantores e instrumentistas, após três anos de muitas reflexões e dinâmicas, em 2009 conseguiu-se ir ao estúdio e gravar o primeiro CD intitulado “Calma sem tempo”, traduzindo mais uma vez, através de músicas populares com poesias belíssimas, seus anseios e sentimentos diante da sociedade em que convive. Em 2010, o grupo produziu seu segundo CD, “Plateia imaginária”, com uma nova seleção de repertório da MPB, numa linha mais contemporânea e sonoridade diferenciada pelo fato de gravarem ao vivo e simultaneamente todos os intérpretes juntos no estúdio, diferentemente do primeiro trabalho que foi gravado voz por voz e mixado no final do processo. O Grupo Vocal Esperança, com mais de cem apresentações realizadas ao longo destes mais de dez anos de existência – em que cerca de 100 pessoas passaram pelo projeto -, mostra indícios de que, de fato, a música pode ser uma grande ferramenta no tratamento terapêutico ao portador de transtornos mentais severos e persistentes, bem como meio de reinserí-los na sociedade, seja por suas produções, manifestações ou resgate de suas potencialidades, a partir do trabalho grupal. Para este ano, o grupo regido pelo professor Izamir de Farias se prepara para produzir o primeiro DVD, que deverá ser fruto de uma apresentação ao vivo para o público.

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