Grupos das UBSs incentivam tabagistas ao abandono do hábito
Programa coordenado pela SMS auxilia pacientes do município que queiram viver com saúde
No Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde (SMS), chama a atenção para um hábito adotado por muitos pelotenses: o tabagismo. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso do cigarro é responsável por 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% dos óbitos por doenças cerebrovasculares, como o AVC, e quase metade das mortes por infarto.
Para tentar combater o problema, a Prefeitura criou o Programa Municipal de Cessação do Tabagismo, coordenado pela SMS, conforme orientações do Ministério da Saúde. A iniciativa envolve avaliação clínica dos pacientes, abordagem intensiva individual ou em grupo e, caso necessário, terapia medicamentosa.
Pacientes são acolhidos nas UBSs e participam de grupos de apoio – Fotos: Daiane Santos
Em Pelotas, semanalmente, grupos reúnem-se nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) integrantes do programa, para discutir o tema e ensinar mecanismos que ajudem os usuários a pararem de fumar. É o que ocorre na UBS do Sítio Floresta. Por lá, a enfermeira Ivani Ludtke coordena um grupo de oito pessoas interessadas em largar o hábito de fumar. Durante os encontros, cada um tem a chance de contar suas dificuldades, comemorando também as pequenas vitórias diárias.
No caso da dona de casa Leonice*, 52 anos, o fato de ter reduzido o número de cigarros consumidos no dia a dia, foi um grande passo. “Antes eu fumava 50 por dia, agora estou conseguindo fumar dois. Meus filhos me elogiam; sinto o gosto das coisas e isso só me motiva a continuar em frente”, afirma.
O exemplo dela inspira Raquel, 43 anos, que ainda não consegue ficar sem fumar. “Eu até reduzi, mas ainda preciso do cigarro e fico irritada quando não posso; desconto no meu marido. Ainda tenho que melhorar, mas o grupo está me ajudando”. Enquanto ouve o depoimento de cada um, Ivani – auxiliada pela estudante de enfermagem Raquel Vieira – vai orientando e anotando tudo o que é dito.
É a partir desses apontamentos que o melhor tratamento ou a necessidade do uso de medicamentos é avaliado. Os remédios oferecidos ao município, através do Ministério da Saúde, são o Cloridrato de Bupropiona 150 mg e adesivos transdérmicos, com nicotina de 7mg, 14mg e 21mg. “Sempre que necessário, utilizamos as medicações. Parar de fumar não é fácil, é um processo que exige paciência e cujos resultados variam de paciente para paciente”, explica.
Dependência
Segundo o Ministério da Saúde (MS), o cigarro causa três diferentes tipos de dependências: a física, quando o organismo do fumante se acostuma a receber uma certa dose de nicotina e, quando ele deixa de fumar, o corpo sente falta e precisa se adaptar à ausência dessa substância; a psicológica, em que o cigarro serve, muitas vezes, como um amortecedor para as emoções, sejam elas desagradáveis ou não; e a de hábito, quando o fumante estabelece uma rotina no uso do cigarro, associando o ato com algumas atividades, como tomar um café ou fumar após as refeições.
A enfermeira Bianca Lopes Leal, do Núcleo de Atenção à Saúde do Adulto da SMS, explica que para a inserção do paciente nos grupos de tabagismo é feito uma consulta inicial na UBS, com profissional capacitado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Avaliadas as condições clínicas do paciente, o profissional direciona este ao tratamento. Os grupos acontecem alternadamente em todos os bairros da cidade. Para participar, o paciente precisa procurar a unidade de saúde mais próxima da sua casa. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 3284-7717.
*Identidades alteradas para preservar a privacidade das pacientes