Grupos Musicais da Saúde Mental se apresentam na Fenadoce
Há oito anos o Vocal Esperança e o Los Lokos se apresentam na Praça de Alimentação da Feira
O Grupo Vocal Esperança e o Grupo Musical Los Lokos se apresentaram, na tarde desta sexta-feira (8), no palco principal da Praça de Alimentação da 26ª Feira Nacional do Doce (Fenadoce). Os grupos são compostos por pessoas que integram as oficinas terapêuticas de música nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e grupos musicais extra CAPS. A apresentação, gravada em vídeo por equipe profissional com quatro câmeras, vai gerar o quinto DVD.
Há oito anos, o Vocal Esperança e o Los Lokos realizam apresentações na Feira. Os quatro DVDs produzidos foram divulgados em congressos nacionais e internacionais e eventos diversos. Os CAPSs integram os serviços de Saúde Mental, da Secretaria de Saúde (SMS), sob coordenação de Gicelma Kaster.
Foto: divulgação.
Vocal Esperança
Criado em 2001, tendo por mentor Izamir de Farias, então estudante do curso superior de Música da UFPel, o Grupo Vocal Esperança já realizou mais de 180 apresentações na região sul do Brasil, em diversas cidades e eventos acadêmicos e institucionais, sendo objeto de estudos por graduandos, mestrandos e doutorandos devido a suas particularidades e potencialidades. Realiza seus encontros semanalmente nas dependências do Centro de Artes da UFPel onde foi criado, em parceria com a Secretaria de Saúde (SMS).
Los Lokos
O Grupo Musical Los Lokos começou seu trabalho dentro do CAPS Escola em 2002 com o nome de Grupo Musical Terapêutico Felizarte. Passou a se chamar Los Lokos a partir de 2014, quando parte dos seus integrantes tiveram alta do serviço e mantiveram o trabalho de forma independente e auto gestionado. O nome fora escolhido democraticamente com o intuito de problematizar a "loucura".
Farias explica que o objetivo primeiro dos grupos vocais é de fortalecimento coletivo e criação de identidades, direcionando o potencial humano para a expressão através da música. Ele diz que os dois grupos atuam socialmente como educadores e internamente como terapêuticos, buscando a manutenção das conquistas ao longo do tratamento interdisciplinar.
A evolução do tratamento em saúde mental
A partir dos anos 1940, com a vanguarda de Nise da Silveira que desenvolveu trabalhos com o uso da arte para reabilitação em saúde mental, teve início no Brasil uma sutil mudança na aceitação da "loucura". Com a Reforma Psiquiátrica, iniciada na década de 1980, o pensamento hegemônico sobre cuidado em saúde mental, aos poucos começou uma série de transformações e a sociedade em seus diversos seguimentos e categorias, passou por mudanças em suas concepções, culminando com a criação da legislação nacional em 2001, que regulamentou o cuidado em saúde mental para que fosse humanizado e em liberdade.