Iniciam as obras de restauro do Casarão Seis
Mais uma vez a atual administração ratifica seu compromisso com o patrimônio público e arquitetônico do município por intermédio do início efetivo das obras de qualificação do Grande Hotel, iniciadas ontem (11) e da restauração do Palacete Seis, com início nesta quarta-feira (12). Ambas as obras estão sob a responsabilidade da empresa Marsul Engenharia Ltda, com sede em Goiânia (GO). A referida empresa venceu também a licitação para a execução das obras internas do Mercado Central.
A empresa executante deu início ás obras na tarde de hoje por intermédio do trabalho de limpeza, estaqueamento, adaptação e escoramento de partes do prédio que podem oferecer algum risco aos funcionários. Bastante danificado pelo falta de manutenção e pela ação do tempo, o casarão, tombado pelo patrimônio, será totalmente restaurado do forro ao telhado, passando pela instalação elétrica, hidráulica, instalação de rede lógica e de telefonia, restauração total dos forros em estuque e do revestimento em escaiola das paredes internas, bem como a reforma de todas as esquadrias em madeira, recuperação dos pisos seguindo o modelo original, além da pintura geral interna e externa.
A Marsul Engenharia pretende entregar a obra concluída, num prazo de 10 meses, mesmo tempo de execução das obras do Grande Hotel. Para Jéferson Salaberry, arquiteto da empresa executante, tratam-se de duas obras de grande porte e com diferenças básicas fundamentais: “A obra realizada no interior do Grande Hotel, exige mudanças, alterações e adequações na estrutura(planta) do prédio pois serão retiradas algumas das paredes e construídas outras em locais previamente determinados pelo projeto. Já, aqui no Palacete Seis, não alteraremos a planta original do imóvel. Esta permanecerá com o mesmo formato. O que faremos aqui é basicamente restauração, o que também não se constitui em uma tarefa fácil pois tentaremos, na medida do possível, devolver ao prédio suas características originais, especialmente dos tetos em estuque, do revestimento das paredes internas (escaiolas) e dos detalhes arquitetônicos”, explica ele.
O arquiteto da Secult, Fábio Caetano, salienta ainda que o trabalho que está sendo realizado no Palacete Seis é mais específico e mais elaborado, contando inclusive com artífices especializados em restauração de peças pertencentes ao patrimônio histórico. Este é o caso do restaurador Orion Franconi, que freqüentou o curso de Qualificação Profissional para Ofícios de Restauro e Conservação do Patrimônio Histórico e Arquitetônico. O curso aconteceu em 2007 e formou, em média, 138 profissionais.
Distribuído em módulos, os participantes do curso, promovido numa parceria entre Sinduscon, IFET/Sul e Prefeitura Municipal, tiveram a oportunidade de aprender a restaurar materiais por intermédio de técnicas de marcenaria, carpintaria, ferraria e cantaria. “O curso abriu uma janela para uma gama de novos profissionais especializados em ações de restauro. Além de garantir emprego e renda, adquiri também a consciência de que restaurar significa preservar nossa própria história e identidade”, comenta.
Todos os profissionais que estão prestando serviço no interior do Casarão Seis estão sendo orientados a separar peças que possam ser importantes referências históricas. Todo este material que está sendo encontrado no interior do prédio deverá ser recolhido à Secult e posteriormente catalogado, numa tentativa de esclarecer algumas dúvidas históricas com relação ao modo de vida da época.
O Prédio - Construído no ano de 1879, pelo arquiteto italiano José Izella, o Palacete Seis teve como primeiro morador, Leopoldo Antunes Maciel, o Barão de São Luiz. A construção no limite do terreno possui recuo ajardinado que, aliado ao seu amplo pátio interno proporcionam uma planta em forma de “H”. O palacete de porão alto possui sacada e uma varanda formada por um belo jogo de arcos e colunas, cujo acesso se dá por intermédio de uma escadaria dupla. O imponente prédio possui, quase que intacta, uma das últimas senzalas utilizadas no país.