Obras no Mercado revelam surpresa histórica
Passado pouco mais de um mês do início das obras, a aparência interna do Mercado Central já mudou radicalmente. Por intermédio das intervenções de demolição das antigas bancas, a estrutura metálica original do prédio já está a mostra, inclusive alguns detalhes antigos da construção, como um imenso sino, localizado na cruz central, já pode ser contemplado. Segundo os arquitetos do Programa Monumenta, Laura Zambrano e Fábio Caetano, as obras seguem seu ritmo normal, obedecendo ao cronograma previamente estabelecido.
Durante o trabalho de prospecção das fundações do prédio, os arquitetos depararam-se com um fato inusitado: abaixo do piso atual eles encontraram um outro, revestido em ladrilhos hidráulicos. O antigo piso está a uma profundidade de 30 centímetros com relação ao atual e só foi descoberto agora, o que enseja que o acompanhamento da obra seja realizado também por um arqueólogo. O trabalho arqueológico deverá ter início nesta próxima semana, com a presença do professor Fábio Cerqueira, da Universidade Federal de Pelotas. Entre as funções do arqueólogo que acompanhará os trabalhos, está a pesquisa no sentido de descobrir se o piso recém-descoberto data da fundação do prédio ou faz parte da última reforma pela qual passou o local.
A retirada dos restos de obra e seu possível reaproveitamento estão sob a responsabilidade da Secretaria de Serviços Urbanos (SSU).
Caetano enfatiza que a idéia é fazer com que o local realmente volte às suas origens. Para isso, toda a estrutura metálica original passará por uma limpeza e tratamento anti-corrosão. Ele explica ainda que a próxima etapa da obra constitui-se na remoção total da cobertura que deverá ser elevada em um metro, além de instalação de venesianas e vidros, que devem garantir a ventilação e a iluminação interna.