Pelotas reduz índices da mortalidade infantil

Por Divulgação 16-08-2007 | 00:00:00
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Desde 2006 os índices da mortalidade infantil vêm caindo gradativamente em Pelotas, chegando agora em níveis próximos daqueles apresentados por países mais ricos e desenvolvidos. Em coletiva para a imprensa na manhã de hoje (16), o prefeito Fetter Júnior, o Secretário de Saúde, Francisco Isaías, e o professor do Centro de Pesquisas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), César Victora, anunciaram os novos índices da redução da mortalidade infantil, a partir de trabalho desenvolvido em parceria entre a Prefeitura de Pelotas, Estado e UFPel. Até o final de julho de 2007, o índice de mortalidade infantil registrado é de 10,6 mortes por mil crianças de 0 a 1 ano, superando a meta prevista, que era baixar para 13,5 em 2007. Estavam presentes, também, a coordenadora do Departamento de Saúde Pública da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Ana Lúcia Costa, e as enfermeiras da SMS Eliédes Freitas e Ana Lúcia Azevedo.

O prefeito destacou a importância do trabalho em conjunto e lembrou que o atual governo foi o primeiro a trabalhar integrado com o Centro de Pesquisas da UFPel. “Nossa administração está trabalhando e investindo forte também no setor da saúde e a redução da mortalidade infantil, a construção do novo prédio do Pronto-Socorro e diversas outras ações desencadeadas em benefício da população comprovam que estamos no rumo certo”, ressaltou. Segundo ele, boa parte do progresso obtido deve-se à orientação do professor Victora, que é autoridade reconhecida internacionalmente no trabalho de prevenção e redução da mortalidade infantil. “Nos últimos 15 anos, a nossa média variava de 16 a 20/mil, o que estava muito acima da média do Estado e não condizia com nossa estrutura – duas universidades, seis hospitais, mais de 50 Unidades Básicas de Saúde”, lembra Fetter.

O momento atual as saúde, portanto, acrescentou Fetter, é de alegria e otimismo para todos os envolvidos. Em 2005, o índice foi de 20,5/mil. Em 2006, baixou para 15,3/mil e neste ano está em 10,6/mil, mesmo com o inverno rigoroso. Sendo a média nacional 25/mil, Pelotas apresenta um índice menor que a metade da taxa do Brasil. Apesar dos resultados positivos, o prefeito considera esta uma conquista parcial, pois ainda restam cinco meses de trabalho para manter o índice satisfatório.

O professor Victora argumementou que este é o resultado de um trabalho de investigação, planejamento e ação. O grupo faz reuniões todos os meses e investiga cada morte de criança de 0 a 1 ano, com o objetivo de identificar as causas e trabalhar em cima da realidade local. Além disso, ele informa que houve um envolvimento dos dois hospitais que possuem UTI Neonatal (São Francisco de Paula e FAU) na campanha, o que contribuiu para a conquista.

Apesar da satisfação com os resultados, o professor destaca alguns pontos que ainda precisam ser melhorados. Dentre eles, estão as consultas pré-natais. Ele esclarece que, apesar de apenas 2% das gestantes não freqüentarem este tipo de consulta, ainda é preciso melhorar a qualidade do atendimento e disponibilizar mais medicamentos. O segundo ponto comentado por Victora se refere aos exames laboratoriais. A SMS criou uma requisição especial para as gestantes, dando preferência no atendimento. “Esta medida gerou grande melhora, agora é preciso manter”, orienta.

Além disso, Victora salienta ser preciso racionalizar o uso dos leitos da UTI NeoNatal, realizar mais partos normais que cesarianas (no ano passado, 51% dos nascimentos foram de cesariana, o que pode contribuir para o nascimento de prematuros) e conscientizar os pais para a posição da criança na hora de dormir. Ele explica que a morte súbita é quase sempre causada durante a noite, visto que a criança não possui controle respiratório. O recomendado é colocar os bebês para dormir com a barriga para cima, expõe.

Conforme relata a coordenadora do Departamento de Saúde Pública da SMS, Ana Costa, o planejamento das ações é feito em cima de investigações precisas das mortes, realizadas pela enfermeira da SMS, Vera Schimidt. Ela também informa que a rede básica está cada vez mais qualificada para contribuir na questão, realizando um trabalho social de conscientização dos pais. Ana lembra, ainda, que em 2005 foram 86 mortes de crianças de 0 a 1 ano. Em 2006 foram 66 e neste ano, até o momento, foram 24, o que comprova a eficácia do trabalho em conjunto. Para finalizar, o professor Victora comemorou os dados, e disse ser um conjunto de fatores a grande causa da baixa nos índices. Apesar da boa notícia, o trabalho agora é para manter o resultado positivo.

“APAGÃO DA SAÚDE”

Preocupado com a possibilidade de paralisação dos hospitais filantrópicos, marcada para o fim do mês, o prefeito fetter Júnior lidera mobilização estadual no sentido de pressionar o Governo Federal para aumentar os recursos a essas instituições de saúde. “Não podemos cruzar os braços e esperar o caos na saúde, considerando, por exemplo, que em Pelotas os hospitais filantrópicos respondem por 70% dos leitos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Após enviar sugestão ao ministro da Saúde, José Carlos Temporão, Fetter se reuniu com representantes dos hospitais filantrópicos e na quarta-feira esteve em Porto alegre, quando apresentou sua sugestão ao presidente da Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Flávio Lammel, o presidente da Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, deputado Alberto Oliveira, e o secretário Estadual de Saúde, Osmar Terra.

Hoje (16), haverá nova reunião em Pelotas entre o secretário municipal de Saúde, Francisco Isaías, e representantes de hospitais. Amanhã (17), em Porto Alegre, Isaías e representantes dos hospitais filantrópicos se reúnem com o secretário Terra, às 9h. “Estamos preocupados com esta situação da saúde e nosso objetivo é tentar defender os interesses da população, que afinal de contas é a razão de ser de todos nós, administradores públicos”, explica o prefeito. Ele acrescenta que sua sugestão não vem em detrimento dos hospitais universitários, mas para melhorar as condições dos hospitais filantrópicos, o que, segundo ele, aí sim resultará no atendimento pleno e de qualidade aos pacientes do SUS.

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