Porto de Pelotas poderá receber R$ 2,7 milhões da União
Dependente da aprovação do Poder Executivo Federal, uma linha de operação de guindaste poderá ser implantada no Porto de Pelotas. O assessor da Secretaria Especial de Portos (SEP) da Presidência da República, João Affonso Dêntice, incluiu no orçamento de 2010 a proposta de R$ 2,7 milhões destinados a obras de infraestrutura no porto local. Embora a perspectiva de médio prazo, o aporte de capital, informado ao prefeito Adolfo Antonio Fetter, representa uma alternativa à viabilização da operacionalização das atividades com contêineres.
Membros do Conselho Municipal de Autoridade Portuária (CAP) de Pelotas têm tentado agilizar a transferência de um guindaste, com capacidade para 30 toneladas, da Superintendência de Portos e Hidrovias do Rio Grande do Sul (SPH) para Pelotas. O equipamento foi devolvido à Superintendência pelo Terminal de Contêineres (Tecon) de Rio Grande. Sediada em Porto Alegre, SPH é a atual administradora do Porto de Pelotas.
O chefe do Executivo pelotense interveio no caso, encaminhando um ofício à governadora Yeda Crusius e à Secretaria Estadual de Infra-estrutura e Logística, responsável pelo comando da SPH e da Superintendência do Porto de Rio Grande (SUPRG). Recentemente, o prefeito Fetter divulgou a expectativa de implementar esta ou outra estrutura de mesmo porte no município.
O porto de Pelotas movimenta cerca de 350 mil toneladas ao ano com carga e descarga a granel de pedra calcário e fertilizantes. A cidade perdeu, pela segunda vez, a oportunidade de receber um guindaste de outros portos. Duas máquinas similares há quase dez anos, foram enviadas pelas docas de Santos ao Rio Grande do Sul: um de 36 e outro de 15 toneladas. O destino do primeiro seria Pelotas, mas a beneficiada foi uma companhia privada da capital gaúcha.
Relatório do Tecon de “baixa” e entrega, afirma Dêntice, dá conta de que o guindaste pleiteado atualmente, apesar de antigo e vagaroso, estava funcionando em estado regular. O diretor da SPH, Gilberto Cunha, endereçou carta ao ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, e ao chefe de gabinete da SEP, Augusto Wagner Padilha Martins, solicitando providências urgentes à obtenção do aparelho.
Na avaliação do assessor da Presidência, a instalação do equipamento aumentaria o volume de operações, diversificando também os produtos transportados. “A geração de receita e emprego será também indireta, criando uma cadeia produtiva com embarcações, atividades de abastecimento e o estabelecimento de indústrias”, projeta Dêntice.
Segundo ele, o Governo Federal investiu mais de R$ 700 milhões em Rio Grande, cujo porto encontra-se com capacidade saturada para a movimentação de pequenas cargas. “Com a progressiva especialização do órgão vizinho, segundo maior do País, os berços dos navios perderam fôlego e espaço para crescimento”, compara o assessor. O representante do Executivo Federal refere-se ao desvio de carregamentos menores para Pelotas, cuja concretização demanda uma base sólida no porto de Pelotas e sinaliza negócios volumosos à economia da região.