Portos de Pelotas e Cabedelo farão operação piloto de cabotagem
Uma operação piloto de navegação de cabotagem entre os portos de Pelotas e de Cabedelo, na Paraíba, será realizada em 2010 para testar a viabilidade do transporte de cargas pesadas entre o Município e o Nordeste. O projeto experimental foi anunciado ontem (16), no 1º Workshop do Programa de Incentivo à Cabotagem, ocorrido no Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel) com a presença de executivos de corporações dos setores da alimentação e da construção civil. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Mário Santos, a decisão representa uma evolução do trabalho de fomento ao modal hidroviário, sobretudo com o aval dos diretores dos cais comerciais do Município, Paulo Morales, e de Cabedelo, Francisco Paquet. Durante o debate, a equipe da Secretaria Especial de Portos (SPE), vinculada à Presidência da República, solicitou aos empresários o preenchimento de um formulário com dados sobre cargas potenciais e atuais para a região. Estes dados serão tabulados sob a supervisão do coordenador geral de Gestão da Informação do Departamento de Sistemas de Informações Portuárias da SEP, Luiz Hamilton Mendonça, que fez uma palestra no evento desta segunda-feira. A partir da demanda pesquisada na Zona Sul, será concebida a experiência entre o Rio Grande do Sul e a Paraíba. “A intenção é constatar as vantagens de logística e de custos, bem como a possibilidade de eliminação de etapas de transbordo com caminhões”, explica Santos. Colaboraram também, com o levantamento da SPE, o presidente do Sindicato da Indústria do Arroz de Pelotas (Sindapel), Jairton Kruger Russo, e o diretor comercial e industrial do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), Rubens Pinho Silveira. O interesse desta categoria se justifica pelo fato do meio rodoviário, adotado para envio de grandes volumes do principal produto da Zona Sul – o arroz – ao Nordeste, exigir gastos até três vezes mais altos do que a navegação marítima. Os esforços para instituição do polo naval complementar ao de Rio Grande, em paralelo a esta iniciativa de estímulo, são parte do plano estratégico de governo para aproveitamento da infraestrutura portuária local. A cabotagem, bastante difundida na década de 30 no transporte de carga a granel, está sendo considerada uma alternativa em razão das malhas ferroviárias e rodoviárias ainda apresentarem condições precárias, custos elevados e grande congestionamento.