Prefeito recebe avaliadoras do PIM
O prefeito Adolfo Antonio Fetter recebeu, na manhã de hoje (22), a equipe que está avaliando o Programa Primeira Infância Melhor (PIM) em Pelotas. O prefeito fez uma rápida apresentação do Município, destacou a recuperação do patrimônio histórico, as novas obras e o trabalho para estruturar áreas que ainda carecem de infraestrutura. “Estamos seguros de estar avançando, fazendo mais do que antes, embora falte muito ainda por fazer”, salientou. A representante do Centro de Referência Latinoamericano para a Educação Pré-escolar (Celep), de Cuba, Mirian Diaz González, começou tranquilizando o prefeito, pois, segundo ela, auditoria não serve apenas para apontar erros, mas para saber o que está funcionando e mostrar caminhos de como melhorar. Pelotas é o município gaúcho com maior número de visitadores. Ela quis saber do prefeito sobre as condições da primeira infância – crianças de zero a seis anos de idade – no Município, o que faz para que essa parte da população tenha mais cultura, educação, menos consumo de drogas e mortalidade. Fetter lembrou que quando assumiu a Prefeitura a mortalidade infantil era de 19,8 a cada mil nascidos vivos; em 2007 caiu para 12,2 e; em 2009, quando a cidade sofreu com uma enchente, a crise financeira internacional e a gripe A (H1N1) aumentou para 13,8. O prefeito disse que muitos fatores fora do alcance da administração contribuem para que este número não seja mais baixo, como a gravidez na adolescência, nascimento de prematuros e hábitos incompatíveis com a gravidez, como o uso de drogas. Fetter afirmou que Pelotas tem uma das maiores redes de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Brasil, com mais de 50 postos, embora com deficiências, devido às dificuldades em admitir médicos, que não aceitam os salários que a Prefeitura pode pagar. Das 45 unidades sob a responsabilidade da administração municipal, 36 foram beneficiadas com obras, três são novas, além de o espaço do Pronto-socorro (PS) ter sido duplicado. Mesmo assim, lamentou, ainda há problemas, pela dificuldade em conseguir leitos nos casos de internação e em função da quantidade de casos que seriam de UBSs e que acabam no PS pela falta de médicos nas primeiras. Mirian afirmou que o trabalho dos visitadores do PIM é bem maior do que o atendimento à criança de até seis anos, pois ele entra na casa de cada uma das famílias atendidas, uma vez por semana, e assim estabelece uma relação com elas. Um visitador pode perceber, por exemplo, um caso de violência, existência de uma doença, um outro irmão maior que esteja usando drogas. Ele não agirá, mas levará a informação à instituição responsável. De acordo com a consultora da Unesco para a 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), Maria Celeste Leitzke, Pelotas possui 25.606 crianças de zero a seis anos, sendo que 5.637 destas são atendidas pela Educação Infantil, pública e privada, 3.300 atendidas por 88 visitadores do PIM, mas 16.669 ainda estão sem atendimento. Ela afirma que, se tivesse mais 444 visitadores, 100% das crianças poderiam ser atendidas, e que crianças do PIM não repetem o ano na escola, não evadem, são mais comprometidas com a escola e mais sociáveis, não se envolvendo em brigas. Mirian afirmou que o Brasil tem ótimos programas e muito mais condições do que Cuba, que atende 99,5% das suas crianças, mas precisa haver mais articulação entre eles. As auditoras ficam na cidade até sexta-feira (24). Os resultados serão apresentados em novembro. O PIM tem como objetivo orientar as famílias, a partir da sua cultura e experiências, para que promovam o desenvolvimento integral de suas crianças, desde a gestação até os seis anos de idade, para possibilitar que tenham no futuro as mesmas oportunidades que tiveram outras crianças que nasceram e cresceram em ambientes com melhores condições afetivas e socioeconômicas. A metodologia do PIM é aplicada por meio de atividades lúdicas específicas, voltadas para a promoção das habilidades e capacidades das crianças, através do planejamento, execução e avaliação de modalidades individuais e grupais. O PIM se transformou em Lei Estadual nº 12.544 em 3 de julho de 2.003 e foi implantado em Pelotas em março de 2005. Também participaram da reunião o vice-prefeito Fabrício Tavares; o secretário da Saúde, Francisco Isaías; a coordenadora do PIM em Pelotas, Maria Helena Guido; a secretária de Cidadania e Assistência Social (SMCas), Elisabeth Marques Dias; e os representantes da Secretaria de Educação (SME), Lino Soares e Roselani Silva.