Prefeitura abre licitação para restauro da antiga viação férrea
Parte da área do Largo de Portugal, que abrigará o novo Centro Administrativo da Prefeitura, começará a ser recuperada ainda em 2012. Sob a diretriz e a responsabilidade da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), a Secretaria de Gestão Financeira (SGF) lançou hoje (8) licitação cujo objeto é contratação de empresa para execução das obras de restauração e reciclagem do prédio da antiga Estação Férrea de Pelotas. O prazo de entrega das propostas termina no dia 13 de março, às 10h30, quando os concorrentes serão conhecidos pela Comissão Permanente de Licitações da administração municipal. Em maio do ano passado, o prefeito Adolfo Antonio Fetter e a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/RS) assinaram o Termo de Cessão do imóvel ao Município. Avaliado em 2,67 milhões - montante que inclui a contrapartida de R$ 400 mil do Poder Executivo e a verba de R$ 1,67 milhão, advinda do Ministério Público Federal -, o projeto de restauro da Estação vai permitir a instalação do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador Macrorregião Sul (Cerest), do Procon de Pelotas e do Memorial da Rede Ferroviária Federal. O recurso do MP tem origem em autuação de uma empresa, feita em conjunto com o Procon, e do Cerest, cuja parcela de R$ 600 mil foi aprovada pelo grupo gestor. Para destinar o capital, o Ministério priorizou uma prefeitura que tivesse elaborado planos de ampliação e qualificação do órgão de defesa do consumidor. Segundo o procurador da República, Mauro Cichowiski dos Santos, que oficializou o repasse no ano passado, a parceria com o Poder Público municipal contempla diretamente a população de Pelotas. “Além disso, não estamos ajudando a reformar um prédio e, sim, uma valiosa obra de arte”, acrescentou o procurador. Com a meta de concretizar a recuperação do edifício, após décadas de abandono, que resultou no péssimo estado de conservação herdado pelo governo atual, o prefeito delegou ao secretário de Gestão Urbana (SGU), Luciano Oleiro, a tarefa de comandar a elaboração do projeto técnico. A revitalização seguirá o planejamento da equipe da SGU, que abrange intervenções arquitetônica, elétrica, hidrossanitária, lógica (destinada à instalação de redes de computadores) e para prevenção contra incêndios. Não somente a alvenaria, mas as aberturas em madeira também passarão por reparos minuciosos e específicos. “Faz parte do programa estratégico da gestão do prefeito Fetter a renovação e a conservação da memória de Pelotas, simultaneamente à melhoria da prestação dos serviços públicos à comunidade”, enfatiza o secretário de Cultura, Ulisses Nornberg. Para o titular da pasta municipal, a ação da Prefeitura possui grande relevância nos cenários estadual e nacional de preservação da história ferroviária. Superintendente de Cultura do órgão, Mogar Pagana Xavier destaca a prioridade da gestão atual de revitalizar o prédio, tombado pela Lei Municipal nº 4.315 de 22 de setembro de 1998 e inventariado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphe). A ESTAÇÃO FÉRREA DE PELOTAS – LARGO DE PORTUGAL (1884) Com a implantação da linha ferroviária Rio Grande-Pelotas-Bagé, compondo o tripé econômico “porto-charque-gado”, em 1884, os três municípios passaram a contar com belas e amplas estações. A de Pelotas, localizada no Largo de Portugal, dispunha de um salão principal com bilheteria e acesso ao pátio de trens. O imóvel, que possui 15 cômodos e um andar superior, foi erguido com três portas centrais, marquise de vidro, platibanda com balaústres de cimento e frontão central trabalhado. Na década de 30, foram construídas duas laterais com porta e janelas, iguais para cada lado. A plataforma de embarque e desembarque é protegida por longa cobertura, estruturada a partir de "mãos-francesas" de ferro. Retirados do prédio, o sino e o relógio, com duas faces, uma para dentro do saguão e outra para o embarque, constituíram-se em importantes elementos da história de Pelotas. A via férrea foi, no final do século XIX, uma alavanca do desenvolvimento urbano do município: a criação de uma rede viária capaz de ligar a estação aos outros bairros impulsionou o crescimento na direção do “largo da estação”.