Prefeitura oficializa doação de terras aos índios kaingangs

Por Divulgação 30-06-2016 | 00:00:00
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A ocupação indígena de terras localizadas na colônia Santa Eulália, 5º distrito (Cascata), foi regularizada. A prefeitura havia proporcionado a transferência de índios kaingangs, que ficaram meses à beira da avenida Presidente João Goulart, defronte a Rodoviária. A mudança ocorreu em 10 de junho e agora o prefeito Eduardo Leite legitimou, por decreto, o uso da área da zona rural pela comunidade kaingang, com a responsabilidade do Município de proporcionar-lhes atendimento de saúde e educação. O prefeito assinou o Decreto 5.932/2016 na manhã desta quinta-feira (30/06/2016), em visita à aldeia, na presença da vice-prefeita Paula Mascarenhas e de titulares e representantes de secretarias e instituições que participaram do acolhimento de Pelotas à comunidade indígena. Jovens e meninos kaingangs receberam o grupo com apresentação de dança festiva, em agradecimento às terras. Dançaram vestidos a caráter, com penas coloridas, pinturas no rosto e no corpo, e portando instrumentos como flechas, chocalhos e outros artefatos. Eduardo informou a todos que equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Cascata vai atender a comunidade indígena nas próprias terras, uma vez por semana. Os serviços do Samu estarão sempre disponíveis. O acesso à Educação está garantido na escola Garibaldi, da colônia Maciel. A busca de solução para a comunidade indígena correu sob responsabilidade da vice-prefeita Paula Mascarenhas, que teve vários encontros com os representantes da comunidade indígena e acompanhou-os em visitas a alguns terrenos, para que pudessem escolher onde queriam se instalar. “Recebi carta branca do prefeito”, afirmou. Ela conta que houve uma mobilização de várias áreas e, desta forma, um envolvimento humano com a questão. Participaram as secretarias de Desenvolvimento Rural, de Cultura, de Justiça Social e Segurança, de Educação e Desporto, de Saúde, e Defesa Civil, além de parcerias especiais da UCPel, da Funai e da Emater. Paula Mascarenhas, emocionada, registrou que o trato com os índios Kaingangs proporcionou-lhe experiência de vida, de alteridade, de compreensão do outro, de conhecimento da cultura. “Saio do processo melhor do que entrei.” A visita à aldeia kaingang foi acompanhada pelos secretários de Desenvolvimento Rural, Wilson Karnopp; de Cultura, Giorgio Ronna; de Educação, José Francisco Conceição; de Justiça Social e Segurança, Luiz Eduardo Longaray; do representante da Funai, Jorge Carvalho; da representante da Reitoria da Universidade Católica, Vini Rabassa da Silva; de diretores da Saúde e assessores. A aldeia A aldeia kaingang conta com 53 índios que compõem 16 famílias. A pessoa mais velha é Helena Cadete, de 95 anos e, a mais nova – Talita - tem um mês de vida e é neta de Helena. O cacique Pedro Salvador (que na língua kaingang chama-se Oretan) saudou as visitas no seu próprio idioma. Depois, manifestando-se em Português, falou sobre as necessidades dos indígenas e agradeceu pelas terras e pela água. O seu irmão Alcir também se pronunciou em nome da aldeia, salientando que aquela comunidade tem sua lei interna, baseada no respeito.

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