Sanep soluciona problema histórico e investe na qualidade de água
A dificuldade enfrentada pelo município com a concentração de manganês na água da Barragem do Santa Bárbara já está resolvida e dentro de algum tempo outro problema, que há anos se verifica sobretudo na tubulação centenária do centro, com incrustações que diminuem a pressão, também estará solucionado. A informação é do diretor-presidente do Sanep, Ubiratan Anselmo, acrescentando que, com relação à água, através de análises obtidas em 60 pontos distintos da rede de abastecimento, não foi detectado mais o problema.
A turbidez na água causada pela presença do manganês foi resolvida com a aplicação do permanganato de potássio, forte oxidante capaz de oxidar este metal na própria planta de tratamento, evitando assim que o problema passasse para a tubulação de distribuição, explica a bioquímica do Sanep, Isabel André.
O problema, com o aparecimento de água turva com coloração escura nas torneiras, surgiu há anos em vários pontos do município, como a região do Porto, Centro, Navegantes, Fragata e parte da zona norte. Em junho de 2006, foi identificado a causa do problema onde foi detectado a presença do manganês no manancial de água represada do Santa Bárbara. Através de analises laboratoriais realizadas no próprio laboratório do Sanep, e depois de confirmadas por laboratórios terceirizados como Fundação de Ciência e Tecnologia – Cientec.
A partir da identificação foi buscado o tratamento ideal para combater o problema, explica a bioquímica. “Havia várias opções, como a utilização da aeração, com a colocação de ar para fazer a oxidação do metal contido na água, na entrada da tubulação de água bruta”.
A outra opção seria a pré-cloração, que consiste em aplicar o cloro antes da etapa final do tratamento. A idéia também foi rejeitada pelos técnicos, para evitar a formação de outros compostos indesejáveis na água de consumo. No manancial existe uma concentração de até 6 mg por litro de manganês, o que em todas as outras ETAS com problemas semelhantes têm uma concentração de até 1mg por litro, variando de acordo com temperatura, estratificação e volume de água.
No primeiro momento, a opção encontrada, explica ela, foi a dosagem do permanganato de potássio na planta de tratamento, evitando assim que o problema passasse para a tubulação de distribuição. Este processo teve inicio em outubro de 2006. O permanganato de potássio já vem sendo utilizado com sucesso em outras Estações de Tratamento no Brasil, como em Guaratinguetá, em São Paulo.
CANOS ANTIGOS
Com a aplicação do produto o problema foi resolvido quase na sua totalidade, mas ainda restava a limpeza de 800 km de rede de abastecimento que estava com manganês retido nas incrustações pela antiguidade da rede (tubulação de ferro, PVC e cimento amianto).
Para a solução em definitivo do problema, há três meses está sendo utilizado o produto ortopolifosfato de sódio para que iniba diretamente nas redes de distribuição o metal que foi depositado ao longo de pelos menos 100 anos.
O Sanep deu inicio ao processo de desobstrução dos canos, através da contratação da empresa Mojave Tecnologia, que está aplicando um produto químico na rede de água da cidade. O novo sistema consiste na aplicação do produto em pontos localizados e no monitoramento, que gradualmente desobstruirão os canos, eliminando assim a presença do manganês. O produto permite que após três semanas de aplicação a água mude de cor, um dos problemas encontrados quando os canos apresentam a substância.
O tratamento será realizado por um ano, sendo todos os produtos aplicados e coordenados pela empresa. Ao total estão sendo investidos R$ 375 mil. O processo de desobstrução teve inicio em junho, quando foi realizada a primeira amostragem, com a microfilmagem interna da tubulação, onde foram visualizadas as incrustações nos canos de ferro e o deposito de manganês. Teve início, então, a colocação do produto químico direto no tratamento da água, bem como a realização de descargas periódicas na rede para liberar o deposito de material que vai se formando. As descargas são realizadas duas vezes por semana em diferentes locais. “Este é um processo lento de demorado, porque não se pode aplicar o produto em demasia, o que causaria a turbidez na água distribuída à população”, afirma a bioquímica.
Os dois produtos continuam sendo utilizados simultaneamente: um na entrada de água bruta da planta de tratamento do Santa Bárbara, e o outro na saída do tratamento. O custo mensal deste processo gira em torno de R$ 3.255,00 ( permanganato) R$ 11.753,00 ( ortopolifofato de sódio). “É Importante ressaltar, neste momento, a diminuição que tivemos no uso do produto sulfato férrico aluminoso (coagulante utilizado no tratamento de água potável).No período de julho de 2005 a julho de 2008 reduziu de 155 toneladas para 117 toneladas mês, gerando uma economia ao município de R$ 16 mil mensais.
Na primeira semana de setembro, adianta ela, será realizada a segunda amostragem com a microfilmagem para observar o andamento do processo e o grau de redução do problema. O Sanep instituiu três pontos de observação para a microfilmagem. O primeiro no Distrito Industrial, ponto que pega dois tipos de tubulação, de PVC e de ferro; na saída da planta de tratamento na Barragem, e o ultimo na Cohab Fragata.
O que se pode afirmar, diz Isabel André, é que de imediato já foi constatado melhorias nos pontos onde havia problemas. Através de análises obtidas em 60 pontos distintos da rede de abastecimento não foi detectado mais o problema, também as reclamações que chegavam à autarquia cessaram. “Poderão ainda existir problemas pontuais, que deverão ser notificados ao Sanep, para que se proceda a descarga na rede nestes pontos”, salienta.
Durante a 6ª Semana Municipal da Água, que ocorrerá de 4 a 10 de outubro, será abordada a avaliação completa deste tratamento, juntamente com técnicos da empresa Mojave Tecnologia, responsável pelo assessoramento.