Saúde une esforços para diminuir índice de mortalidade infantil
Buscando detectar as causas e propor soluções para diminuir o índice de mortalidade infantil no município, a secretária de Saúde, Renata Carriconde, manteve reunião hoje (19) pela manhã com César Victora e Aluísio Barros, do Programa de Pós Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, e com o médico José Roberto Saraiva, do governo do Estado. Participaram ainda do encontro profissionais da saúde do município e da UFPel. Segundo Aluísio Barros, embora a taxa de mortalidade por faixa etária tenha diminuído o índice de mortes de pré-maturos tem aumentado, fazendo com que a taxa se mantenha estável. Dados da equipe de epidemiologia apontam que entre 1993 e 2004 a prematuridade, menos de 37 semanas de gestação, praticamente dobrou, chegando a 15%. Pesquisas realizadas com recém-nascidos em 1982, 1993 e 2004 indicam que a mortalidade infantil tem se mantido em torno de 20 óbitos para cada mil nascidos vivos. Para reverter este quadro, a parceria entre a Prefeitura e UFPel irá direcionar as primeiras ações para a investigação dos óbitos, revisão dos programas Pra Nenê e Pré-Natal, incentivo à amamentação, normatização dos exames de ultrasonografia e a formação efetiva do Comitê Municipal de Investigação, para que crianças não venham a morrer por fatores de risco já detectados em outros menores. Outro dado que intriga os pesquisadores é o fato da mortalidade precoce subir na camada social de poder aquisitivo maior e o alto índice de realização de cesarianas. Levantamentos indicam que entre os fatores de risco identificados poucos são de natureza biológica (baixo peso e idade gestacional, por exemplo), os outros estão associados a questão sócio-econômica das gestantes. No Pré Natal a proposta é adotar o SIS, do governo federal, que é um programa para melhorar a qualidade do pré-natal. De acordo com o programa, a mulher deve começar a fazer o pré-natal antes de completar 16 semanas de gravidez, consultar seis vezes durante o período da gestação, realizar todos os exames de rotina, ter assistência ao parto garantida, em maternidade específica e ter uma consulta do puerpério(após o parto).Todos estes dados são lançados no sistema informatizado, permitindo monitoramento das rotinas. Já no Pra Nenê, a preocupação maior é com o acompanhamento da criança depois que deixa o hospital. Estratégico na ajuda de combate à mortalidade infantil, caberá aos profissionais da saúde e multiplicadores conscientizar as famílias de que a amamentação é fundamental para o recém nascido. Está comprovado que as crianças que mamam têm menos chance de adoecer e, conseqüentemente, de morrer já que o leite materno contém anticorpos que a mãe transmite para o filho e que o protege de doenças. Descoberta recente aponta que o leite materno contém ácidos graxos que, agindo junto aos neurônios, podem facilitar o desempenho intelectual das crianças. Também é intenção da Secretaria de Saúde o treinamento e captação dos trabalhadores da saúde, receituário diferenciado para requisição de exames para as gestantes que terão preferência nos ambulatórios nos exames de pré-natal investimento na prevenção da gravidez, com compra de anticoncepcionais, oral, injetável e DIU, entre outros.