Secretaria de Saúde celebra Dia da Luta Antimanicomial

Por Divulgação 18-05-2009 | 00:00:00
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“A oficina de música me ajudou a descobrir um outro eu dentro de mim, que eu nem sabia que existia. Hoje estou firme e vou continuar sempre me tratando. O tratamento é melhor do que ficar em sanatórios”, disse o usuário do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Escola, André Jaekel de Araújo, de 28 anos, em depoimento emocionado, no palanque montado na esquina da rua 15 de Novembro com Lobo da Costa, na frente do Mercado Central, na tarde desta segunda-feira (18). Ele foi um dos participantes do evento promovido pela Coordenaria de Saúde Mental da Secretaria de Saúde (SMS) para marcar a passagem do Dia da Luta Antimanicomial.

Centenas de pessoas, entre usuários, trabalhadores da Saúde Mental, amigos e transeuntes prestigiaram os estandes que expuseram o material produzido nas oficinas de artesanato e marcenaria dos CAPS e assistiram aos discursos e apresentações da Invernada Artística da Saúde Mental e dos grupos vocais Esperança, Musical Felizarte (CAPS Escola) e Nova Estação (CAPS Zona Norte).

A Reforma Psiquiátrica, definida pela lei número 10216/2001 – Lei Paulo Delgado -, surgiu a partir do movimento antimanicomial, com o objetivo de transferir o tratamento dos pacientes de saúde mental, que ficava concentrado nos hospitais psiquiátricos, para uma rede de Atenção Psicossocial estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos, os CAPS. Ou seja, a ideia principal era reintegrar os pacientes ao convívio social, tanto com os membros de suas famílias quanto com a comunidade, de um modo geral, ao invés de isolá-los em uma instituição hospitalar.

Embora a rede ainda apresente uma série de deficiências estruturais, são inúmeros os casos que comprovam que a ideia inicial está dando certo. Araújo é um exemplo vivo: desde que começou a frequentar o CAPS Escola, na Marechal Deodoro, 1.126, nunca mais precisou ser internado. Outro exemplo é Adair Ferreira de Oliveira, de 32 anos, que chegou a ficar internado por três meses e espera que a experiência nunca mais se repita. Usuário do CAPS Baronesa, agora em novo endereço, na rua Otacílio Câmara, 404, Areal, o rapaz frequenta as oficinas de marcenaria, Cine Pipoca e, a favorita dele, a de educação física.

Presidente da Associação dos Usuários dos Serviços de Saúde Mental de Pelotas, Vanilda da Silva conta que, além da luta constante pela melhoria na qualidade do atendimento nos sete CAPS do município, a principal meta da associação é conseguir criar um CAPS específico para adolescentes. Um avanço recente da entidade criada em 2002, é a conquista de um espaço próprio, cedido pelo CAPS Escola, onde funcionará a sede da associação, a partir de junho.

Outro motivo de comemoração é o aumento de demanda do CAPS Álcool e outras Drogas (AD), localizado na Félix da Cunha, 818. “Conseguimos montar um grupo de recepção com uma equipe de profissionais que recebe bem as pessoas, informa sobre todos os serviços desenvolvidos pelas unidades, marca consulta para acolhimento e, em muitos casos, faz a consulta na hora, o que incentiva as pessoas a continuarem o tratamento e tem aumentado o número de usuários”, conta a coordenadora do CAPS AD, Gisele Belmonte Steibel.

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