Sustentabilidade do sistema de lixo em debate na Prefeitura
A sustentabilidade do planeta é mote de discussões em nível mundial, considerando ainda que a destinação dos resíduos e o seu custo operacional é uma das maiores preocupações dos gestores, bem como de ambientalistas. O assunto também é motivo de debates na prefeitura de Pelotas. Nesta manhã (28), o responsável pelo Departamento de Processamento de Lixo do Sanep, Edson Plá, acompanhado pelo diretor-presidente da autarquia, Ubiratan Anselmo, discorreu sobre o tema durante a 20° reunião geral do secretariado.
O Sanep é o órgão que se responsabiliza pela gestão de recolhimento e destinação de lixo no município. De acordo com os dados apresentados pelos gestores, atualmente o custo mensal da autarquia com a prestação destes serviços giram em torno de R$ 520 mil. Todo o recurso pago para execução do trabalho de recolhimento e destinação do lixo é oriundo somente da cobrança da tarifa de água e esgoto, onerando os cofres do Sanep e comprometendo novos investimentos em outras áreas de saneamento. De acordo com Plá, a área de processamento de resíduos exige, com urgência, novos investimentos, tanto a curto quanto a médio e longo prazos, a fim de evitar um colapso no sistema.
Plá destacou que o aterro sanitário de Pelotas funciona há 40 anos e que sua vida útil está saturada, havendo a necessidade de encontrar-se um local provisório para o depósito, até que um novo aterro municipal esteja pronto. Além deste investimento, que também é de curto prazo, Plá propõe a construção de uma Estação de Transbordo, que permita o transporte dos resíduos de um local para outro, em veículos de grande capacidade. Para efetivar essas duas obras é necessário o aporte mensal de R$ 340 mil. Outras necessidades elencadas, abrangendo investimentos de curto prazo, se referem ao aporte de recursos para operação, manutenção e funcionamento de três galpões de triagem de materiais recicláveis, oriundos da coleta seletiva executada por catadores, além da implantação de um galpão para processamento de resíduos plásticos, num custo mensal estimado de R$ 75mil. A estes valores e investimentos ainda se somam mais R$ 200 mil, para ampliação da coleta seletiva, coleta conteineirizada na área central e readequação de valores das empresas coletoras.
O incremento das despesas de curto prazo previstos pela autarquia, somados aos custos atuais atinge, já para o primeiro semestre de 2010, um valor aproximado de R$ 1 milhão. Para investimentos de médio e longo prazos, ou seja, para execução em 2011, Plá e Anselmo apresentaram uma estimativa de custos de R$ 208 mil, com a implantação da Usina de Triagem e Compostagem e a contrapartida dos financiamentos do PAC Resíduos, assegurados junto ao Governo Federal . Nas considerações sobre a sustentabilidade do sistema de lixo, o quadro demonstrado pelos gestores apresentou um incremento de mais de 40% nas despesas operacionais, sem considerar os custos atuais para coleta e destinação final que estão na ordem de R$ 520 mil atualmente. Anselmo enfatizou que apenas quatro municípios em todo País, entre eles Pelotas, prestam todos os serviços de saneamento e são obrigados a apresentar contas à União de cada serviço prestado, com vinculação da receita obtida por cada um individualmente.