Vocal Esperança se apresenta na Fenadoce
O Grupo Vocal Esperança se apresenta, às 19h desta quarta-feira (29), na Fenadoce, no espaço Estância Princesa do Sul. Composto por representantes de todos os Centros de Atenção Psicossocial (CAPSs) de Pelotas, o Grupo constitui-se a partir de uma atividade extra-CAPS e busca a reinserção social de seus integrantes junto à comunidade, proporcionando a desinstitucionalização - um dos principais objetivos da Reforma Psiquiátrica. Conheça a história do Vocal Esperança: Há dez anos foi idealizada, na cidade de Pelotas, a criação de um coral que pudesse atender fora das salas de oficina dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPSs), de forma que seus usuários, bem como a comunidade em geral pudesse participar. Durante um ano, o projeto foi pensado, dentro do antigo Instituto de Letras e Artes da Universidade Federal de Pelotas. Em abril de 2001, após aprovado o projeto pela coordenação do Núcleo de Extensão e Divulgação do Instituto e cedida uma sala de aula para tal, realizou-se o convite aos usuários de todos os serviços mantidos pelo Município, que atendiam portadores de transtornos mentais com os pressupostos da reforma psiquiátrica, bem como aos seus familiares para a efetiva criação de um “Coral da saúde mental” que pudesse representar os serviços de saúde mental e o Município em outras localidades. Começaram, então, as oficinas com a finalidade de unir as pessoas, independentemente do seu transtorno mental, aparência ou característica que as pudesse afastar da sociedade. Em cerca de três meses de convívio, começaram a surgir fortes laços de amizade e uma conscientização de que, embora com diferenças, todo ser humano tem direito de ser tratado de forma digna, haja visto que, em sua maioria, os usuários participantes desse coral traziam diversas histórias de sofrimento pelo transtorno e pela discriminação. Nesse mesmo período, tal projeto fora, democraticamente batizado de “Grupo Vocal Esperança” que, segundo seus participantes, era o nome que traduzia esse novo norte para suas vidas. Com um repertório rico em conteúdo poético, melódico e harmônico, pensado e adaptado às exigências de expressividade daqueles sujeitos, começou-se a trabalhar com técnicas voltadas ao aprimoramento da sua expressão vocal/oral, corporal e intelectual, bem como com dinâmicas voltadas à interatividade dos participantes, entre si, e com o meio à sua volta. Em cerca de cinco meses, o grupo começara sua nova jornada que, já como um coral em uníssono, vinha a representar a saúde mental da cidade, com apresentações musicais em diversos eventos sociais, culturais e educacionais de pequeno e grande porte, como também em instituições de saúde mental, hospitais, escolas de ensino fundamental, médio e superior, congressos, fóruns, dentre outros. Nas diversas cidades da metade sul do RS em que os “esperancistas” cantaram, pode-se perceber a emoção e a desmistificação de que um portador de sofrimento psíquico grave não tem condições de produzir um trabalho de qualidade, além de diminuir o estigma de que o “louco” é perigoso à sociedade. Em 2009, foi gravado em estúdio o primeiro CD, intitulado “Calma sem tempo”, traduzindo mais uma vez, através de músicas populares com poesias belíssimas, seus anseios e sentimentos diante da sociedade em que convive. Em 2010, o grupo produziu seu segundo CD, “Plateia imaginária”, com uma nova seleção de repertório da MPB, numa linha mais contemporânea e sonoridade diferenciada. O Grupo Vocal Esperança, com mais de cem apresentações realizadas ao longo destes mais de dez anos de existência – em que cerca de 100 pessoas passaram pelo projeto -, mostra indícios de que, de fato, a música pode ser uma grande ferramenta no tratamento terapêutico ao portador de transtornos mentais severos e persistentes, bem como meio de reinseri-los na sociedade, seja por suas produções, manifestações ou resgate de suas potencialidades, a partir do trabalho grupal. Para 2011, o grupo regido pelo professor Izamir de Farias se prepara para produzir o primeiro DVD, que deverá ser fruto de uma apresentação ao vivo para o público.