SMED divulga artigo sobre Alfabetização e Letramento
Levando em conta a qualidade de trabalhos desenvolvidos por professores da rede municipal de educação, a Secretaria de Educação e Desporto (SMED) procura sempre incentivar a divulgação dos mesmos. Por meio do Programa de Pró-letramento, a secretaria divulga o artigo escrito pela cursista do Programa, da turma de terça-feira, que tem por tutora Mariluce Kurz, Gabriele Galarça Gonçalves, no qual enfoca aspectos relacionados à Alfabetização e Letramento. De acordo com Mariluce, esta formação também tem o objetivo de incentivar as cursistas a produzirem escritas acerca do tema, e este é resultado deste processo. Confira, abaixo, o artigo da professora alfabetizadora e acadêmica de licenciatura em Pedagogia, Gabriele Gonçalves: “Durante muito tempo a alfabetização infantil foi vista única e exclusivamente como a aprendizagem de um processo de reconhecimento sonoro entre grafemas e fonemas, fazendo uso da discriminação visual e auditiva, de forma mecânica, motora e sensorial, desconsiderando radicalmente o conhecimento linguístico que a criança trazia para a realização das tarefas, no meio escolar. Contudo, a lei nº 11.274/06 sancionou a obrigatoriedade do Ensino Fundamental de nove anos e estabeleceu a matrícula de crianças aos seis anos de idade, no primeiro ano Fundamental. Tal mudança ampliou os anos iniciais, de quatro para cinco, e visou, qualitativamente, um maior tempo para a apropriação de estudos próprios desta fase, enfatizando em dois anos o processo de alfabetização e letramento, a fim de proporcionar a erradicação da formação de analfabetos funcionais na nossa sociedade. No entanto, mesmo com a modificação do processo de alfabetização, de um para dois anos, ainda encontramos no município de Pelotas muitos professores totalmente despreparados para abordagem desta nova forma de aquisição da leitura e da escrita para a criança, em sala de aula. Atualmente, tal processo se dá de forma contínua, e não necessita ser consolidado apenas no primeiro ano de escolarização. Mas poucos dos antigos professores de 1ª série atualizaram seus métodos, o que gera uma sucessiva utilização de atividades inadequadas e impróprias neste período. As crianças passaram a ingressar no Ensino Fundamental mais cedo, o que reduziu o tempo antes disponibilizado exclusivamente ao lazer e ao brincar, e muitas apresentam um acesso restrito ao mundo letrado, por originarem de famílias que tiveram pouco acesso à educação. A eficiência do ensino, sob este ponto de vista, se encontra na adaptação do professor com esta nova realidade, colocando o aluno em contato constante com formas de comunicação escrita e desenvolvendo de forma lúdica o pensamento e a elaboração da concepção do processo de alfabetização e letramento. Precisamos de professores capacitados para assumir este compromisso. Apenas ampliar o Ensino Fundamental para nove anos não melhora a alfabetização infantil, é necessário que os docentes estejam preparados e conscientes do trabalho que precisam realizar nestes primeiros anos, e o município de Pelotas se dispõe a oferecer gratuitamente cursos de alfabetização e letramento para os professores da rede, no entanto, pode-se contabilizar o número de inscritos durante os encontros presenciais. A busca pela capacitação ainda é baixa, mesmo quando não requer investimento financeiro. Exigir um salário digno e um reconhecimento profissional é algo extremamente justo, contudo, em contrapartida, deve-se também buscar melhorar sua metodologia e sua prática cotidiana sempre, em meio a alunos que se encontram tão carentes de conteúdos, valores, e de professores comprometidos com o que fazem”.